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domingo, novembro 29, 2015

Homem capitalista

quinta-feira, outubro 30, 2014

Estamos amarrando cachorro com linguiça


Dinheiro é uma forma de estocar trabalho: permite que o cara do pet shop compre seis pãezinhos sem ter de tosar o cachorro do padeiro. Engenhoso. Mas, para o dinheiro valer dinheiro, não basta ser dinheiro. Ele precisa cumprir dois requisitos básicos: ser uma coisa que todo mundo quer e, ao mesmo tempo, algo relativamente escasso, que não dê em árvore.

Justamente por isso, a coisa que mais fez o papel de dinheiro ao longo da história, e da pré-história, foram os metais preciosos. Cobre, prata e, principalmente, o ouro, um campeão de escassez: tudo o que mineraram até hoje só daria para encher um prédio de sete andares. São 142 mil toneladas em seis mil anos – é o que a Vale escava de minério de ferro em seis horas.

Ouro e prata eram tão dinheiro que as primeiras notas de papel da história nem eram exatamente dinheiro, mas recibos que davam direito a uma certa quantia de ouro ou de prata, guardada nos cofres do governo. O Estado pagava pelas obras públicas com esses recibos, essas “notas”. E elas acabavam circulando na economia no meio das moedas de ouro e de prata, já que era mais fácil carregar recibos do que bolsas cheias de metal.

Um dos primeiros países a usar esse esquema em larga escala foi a Inglaterra do século 18 – tanto que “libra esterlina” significa “meio quilo de prata da boa”.Mas quase ninguém voltava ao Banco Central inglês para resgatar seu meio quilo de prata da boa – era melhor ficar com a nota de uma libra de uma vez. Dava na mesma, já que todo mundo aceitava o papel como dinheiro. O governo britânico percebeu isso rápido, e não demorou para fazer uma malandragem institucional: emitir muito mais notas do que a quantidade de prata que tinha nos cofres, basicamente para pagar as próprias contas – e garantir que nunca faltasse champanhe nas festas do palácio. Se alguém viesse resgatar sua prata, tranquilo: era só dizer que uma libra agora valia 250 gramas de prata, ou 100, ou 10. Parece tosco. É tosco. Mas faziam exatamente isso.

Pior é que isso pode ser bom para a economia. Mais dinheiro começa a circular. As pessoas saem para gastar. Os padeiros fazem mais pão. Os fabricantes de fornos de padaria fazem mais fornos. Os cachorros ganham mais banhos e tosas. Juntando tudo, dá para dizer que a produção de bens e de serviços cresce. E é verdade: o PIB sobe mesmo. Mas não para sempre. Se o governo continua nessa toada por muito tempo, uma hora vai ter mais dinheiro circulando do que produtos que podem ser comprados com esse dinheiro. O cara que faz fornos vai acabar com mais pedidos do que pode entregar. Se ele tem quatro pedidos no mês e só consegue produzir três fornos, o que é que ele faz? Manda o quarto cliente embora? Nem a pau. Ele vai e aumenta o preço. Nisso, o padeiro repassa o custo para a freguesia. E, quando o cara do pet shop vai até a padaria, descobre que o preço do pão subiu. Inflação.

Bom, foi exatamente isso que aconteceu na Inglaterra do fim do século 18, começo do 19. Até que em 1810 veio uma virada. O Parlamento entendeu que isso de fabricar notas à vontade era amarrar cachorro com linguiça: os governantes sempre tenderiam a fazer mais dinheiro de papel do que a economia pudesse suportar. Sempre criariam inflação, mesmo que o intuito inicial nem fosse comprar champanhe, mas só reaquecer o PIB mesmo. Então o Parlamento estabeleceu que, dali em diante, uma libra valia 7,3 gramas de ouro. E ponto final. Se o Estado quisesse imprimir um milhão de libras em notas de papel, que arranjasse 7,3 toneladas de ouro para guardar em seus cofres na forma de lastro. Era um freio garantido contra a inflação.

Como a libra era o dólar da época, essa regra acabou valendo para boa parte do planeta. Todo país grande tinha uma reserva em libra como lastro da própria moeda local. Logo, o ouro acabava sendo o lastro, e o freio, de vários governos. Os EUA até foram mais longe e, em 1900, passaram a lastrear seu dólar com o ouro dos seus próprios cofres, com US$ 1 valendo 1,67 grama. Era a época do “padrão-ouro”, entre o final do século 19 e o início do 20. Um tempo de paz econômica, sem inflação. Não no caso do Brasil, que continuou imprimindo suas notas sem lastro nenhum, mas essa é outra história.

Bom, aí veio a Primeira Guerra Mundial e estragou tudo. Inglaterra e EUA deram uma brazilzada e voltaram a imprimir notas sem lastro para pagar pelos esforços militares. O padrão-ouro até voltaria depois, mas seria minado pela Grande Depressão, a dos anos 30, que bagunçou mais ainda a economia mundial.

Dali para a frente, os Bancos Centrais deixaram de usar o ouro como referência. O negócio agora era lastrear o dinheiro no braço mesmo. Como? Maneirando na impressão das notas, de modo a não criar inflação de bobeira. Para se autopoliciar, alguns governos tornaram seus Bancos Centrais independentes do próprio governo. Assim: o presidente do país indica um responsável pelo Banco Central no meio do mandato. E esse chefe do BC, com sua diretoria, continua pelo menos até o meio do governo seguinte, sem poder ser demitido sem justa causa. Aí, se o Poder Executivo ficar tentado a imprimir dinheiro demais para bombar o PIB, o Banco Central pode negar e pronto, pelo simples fato de ter mais competência técnica para saber se a medida vai ou não vai gerar a inflação.

A expressão tecnicamente correta para “imprimir dinheiro”, diga-se, é “baixar os juros”, coisa que irriga a economia com moeda nova. Mas dá na mesma. O BC está lá para manter os juros, a criação de dinheiro novo, num patamar seguro o bastante para que o governo governe sem criar inflação. Esse caminho do autopoliciamento foi o adotado pela Inglaterra, pelo Japão e pelos EUA, onde presidentes do BC chegaram a passar quase 20 anos no cargo – caso de Alan Greenspan, que controlou os juros americanos nos governos Reagan, Bush Pai, Clinton e Bush Filho, tendo o mandato renovado a cada presidente novo.

No Brasil, não: muda o governo, muda o BC. E a inflação continua assombrando, década atrás de década. A história indica que, sim, uma coisa tem a ver com a outra. Então talvez seja a hora de vermos com menos preconceito a ideia de um Banco Central independente. A hora de repensar se linguiça é mesmo o melhor material para a coleira da nossa economia.

Visto em: Crash

domingo, março 30, 2014

Suécia recusa Jogos de 2022 para não usar dinheiro público

estocolmo Estocolmo, na Suécia, decidiu acabar de vez com a possibilidade de ser sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022. Em votação entre os partidos políticos, com apoio até do prefeito da cidade, os suecos optaram por não se candidatar à disputa para receber o evento.
Os argumentos? A cidade tem prioridades mais importantes, a conta para organizar os jogos seria alta demais e um eventual prejuízo teria de ser coberto com dinheiro público. Para os partidos, aceitar os jogos seriam "especular com o dinheiro do contribuinte". O primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt também se mostrou contra.
"Não posso recomendar à Assembleia Municipal que dê prioridade à realização de um evento olímpico. Temos outras necessidades, como a construção de mais moradias", disse o prefeito Sten Nordin, em declarações publicadas pelo jornal Dagens Nyheter e reproduzidas pela BBC.
No jornal Dagens Nyheter, o secretário municipal de Meio Ambiente de Estocolmo, Per Ankersjö, escreveu um artigo defendendo a decisão. "Os cidadãos que pagam impostos exigem de seus políticos mais do que previsões otimistas e boas intuições [sobre o orçamento]. Não é possível conciliar um projeto de sediar os Jogos Olímpicos com as prioridades de Estocolmo em termos de habitação, desenvolvimento e providência social", disse.
A cidade tinha apresentado seu plano em novembro de 2013. Em fevereiro, a cidade russa de Sochi recebeu os jogos desse ano. Os de 2018 serão em Pyeongchang, na Coreia do Sul.

Visto em: Planeta Sustentável

terça-feira, fevereiro 19, 2013

Congressista brasileiro é o segundo mais caro entre 110 países

O congressista brasileiro é o segundo mais caro em um universo de 110 países, mostram dados de um estudo realizado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em parceria com a UIP (União Interparlamentar).

Cada um dos 594 parlamentares do Brasil --513 deputados e 81 senadores-- custa para os cofres públicos US$ 7,4 milhões por ano.

Para permitir comparações, o estudo usa dados em dólares, ajustados pela paridade do poder de compra --um sistema adotado pelo Banco Mundial para corrigir discrepâncias no custo de vida em diferentes países.

O custo brasileiro supera o de 108 países e só é menor que o dos congressistas dos Estados Unidos, cujo valor é de US$ 9,6 milhões anuais.

Com os dados extraídos do estudo da ONU e da UIP, a Folha dividiu o orçamento anual dos congressos pelo número de representantes -- no caso de países bicamerais, como o Brasil e os EUA, os dados das duas Casas foram somados. O resultado não corresponde, portanto, apenas aos salários e benefícios recebidos pelos parlamentares.

Mas as verbas a que cada congressista tem direito equivalem a boa parte do total. No Brasil, por exemplo, salários, auxílios e recursos para o exercício do mandato de um deputado representam 22% do orçamento da Câmara.

Entre outros benefícios, deputados brasileiros recebem uma verba de R$ 78 mil para contratar até 25 assessores. Na França --que aparece em 17º lugar no ranking dos congressistas mais caros-- os deputados têm R$ 25 mil para pagar salários de no máximo cinco auxiliares.

Assessores da presidência da Câmara ponderam que a Constituição brasileira é recente, o que exige uma produção maior dos congressistas e faz com que eles se reúnam mais vezes --na Bélgica, por exemplo, os deputados só têm 13 sessões por ano no plenário. No Brasil, a Câmara tem três sessões deliberativas por semana.

No total, as despesas do Congresso para 2013 representam 0,46% de todos os gastos previstos pela União. O percentual é próximo à média mundial, de 0,49%.

Em outra comparação, que leva em conta a divisão do orçamento do Congresso por habitante, o Brasil é o 21º no ranking, com um custo de cerca de US$ 22 por brasileiro. O líder nesse quesito é Andorra, cujo parlamento custa US$ 219 por habitante.

O estudo foi publicado em 2012, com dados de 2011. O Brasil não consta no documento final porque o Senado atrasou o envio dos dados, que foram padronizados nos modelos do relatório e repassados à Folha pela UIP.

Ao todo, a organização recebeu informações de 110 dos 190 países que têm congresso. Alguns Estados com parlamentos numerosos, como a Itália, não enviaram dados.

Custo dos parlamentares pelo mundo
PAÍS CUSTO POR PARLAMENTAR (Orçamento/nº de parlamentares, em US$, com paridade de poder de compra) ORÇAMENTO (US$, com paridade de poder de compra) MEMBROS
EUA 9.570.093,46  5.120.000.000,00  535
Brasil 7.432.814,24  4.415.091.657,00  594
Nigéria 4.357.653,60  2.043.739.537,05  469
Coreia do Sul 2.091.915,75  625.482.810,00  299
Argentina 1.917.506,91  630.859.774,38  329
Japão 1.863.072,99  1.345.138.700,15  722
México 1.777.936,06  1.116.543.847,77  628
Venezuela 1.734.773,86  286.237.687,12  165
Israel 1.401.305,67  168.156.680,48  120
10º Chile 1.300.040,28  205.406.364,63  158
11º Alemanha 1.191.851,44  821.185.642,18  689
12º Colômbia 1.158.565,46  310.495.543,16  268
13º República Dominicana 1.142.232,15  245.579.911,25  215
14º Angola 1.137.324,50  250.211.389,97  220
15º Bélgica 1.116.683,85  246.787.131,17  221
16º Costa Rica 1.099.075,08  62.647.279,35  57
17º França 1.079.852,36  998.863.435,54  925
18º Uruguai 1.077.124,35  140.026.165,26  130
19º Filipinas 998.650,24  310.580.223,40  311
20º Emirados Árabes 986.662,97  39.466.518,88  40
21º Canadá 976.939,04  403.475.825,46  413
22º Turquia 941.801,88  517.991.036,43  550
23º Nova Zelândia 921.759,69  112.454.682,73  122
24º Grécia 913.714,07  274.114.221,07  300
25º Indonésia 866.241,04  485.094.979,63  560
26º Quênia 841.337,34  188.459.563,53  224
27º Trinidad e Tobago 829.928,39  60.584.772,16  73
28º Tailândia 822.990,38  534.943.748,13  650
29º Portugal 785.087,00  180.570.009,84  230
30º Áustria 741.492,17  181.665.582,73  245
31º Finlândia 726.626,88  145.325.375,26  200
32º Dinamarca 684.358,03  122.500.087,98  179
33º Andorra 672.999,04  18.843.973,23  28
34º Noruega 629.007,73  106.302.307,01  169
35º Polônia 578.557,13  323.991.995,07  560
36º Ucrânia 573.127,62  257.907.430,07  450
37º Líbano 530.701,81  67.929.831,52  128
38º Luxemburgo 520.679,18  31.240.751,04  60
39º Austrália 519.494,78  117.405.819,64  226
40º Benin 516.426,19  42.863.373,36  83
41º Uganda 515.494,92  198.981.040,99  386
42º Nicarágua 511.116,51  47.022.718,66  92
43º Camboja 497.271,28  91.497.915,20  184
44º Suécia 480.281,42  167.618.215,27  349
45º Zâmbia 440.191,93  69.550.324,33  158
46º Tanzânia 433.482,25  154.753.163,62  357
47º Chipre 415.264,94  33.221.195,23  80
48º Bósnia-Herzegovina 414.020,49  23.599.167,82  57
49º República Tcheca 410.560,00  115.367.361,10  281
50º Congo 390.347,41  79.240.524,29  203
51º Burkina Faso 385.517,65  42.792.458,94  111
52º Romênia 374.813,00  176.536.923,45  471
53º Índia 374.803,91  296.095.092,11  790
54º Eslováquia 374.201,87  56.130.280,31  150
55º Lituânia 372.252,78  52.487.641,98  141
56º Reino Unido 360.601,86  532.608.947,51  1477
57º Eslovênia 344.329,33  44.762.812,68  130
58º Camarões 342.295,65  61.613.217,68  180
59º Cingapura 337.378,72  33.400.493,13  99
60º Argélia 336.993,72  179.617.654,94  533
61º Espanha 332.642,49  204.242.485,89  614
62º Estônia 330.901,27  33.421.028,72  101
63º Letônia 329.476,47  32.947.647,02  100
64º Bulgária 325.717,41  78.172.178,18  240
65º Hungria 322.289,04  124.403.569,35  386
66º Azerbaijão 313.403,60  39.175.449,43  125
67º Micronésia 302.481,23  4.234.737,16  14
68º Suíça 298.731,21  73.487.877,05  246
69º Georgia 288.508,81  43.276.320,80  150
70º Macedônia 287.733,63  35.391.235,96  123
71º Namíbia 287.418,37  29.891.510,60  104
72º Ruanda 287.401,03  30.464.509,06  106
73º Timor-Leste 282.822,02  18.383.431,55  65
74º Maláui 255.925,05  49.393.534,34  193
75º Islândia 253.620,91  15.978.117,48  63
76º Chade 250.836,71  47.157.302,19  188
77º Croácia 250.533,66  37.830.582,60  151
78º Mali 235.911,82  34.679.038,22  147
79º Albânia 217.764,33  30.487.006,71  140
80º Maldivas 211.947,56  16.319.962,06  77
81º Montenegro 180.454,58  14.616.820,85  81
82º Paquistão 179.100,58  79.162.456,60  442
83º Sudão 176.074,34  67.964.695,49  386
84º Belarus 164.017,69  28.539.077,92  174
85º Burundi 153.481,32  22.561.754,05  147
86º Guiné Equatorial 144.953,00  14.495.300,19  100
87º Malásia 144.516,29  42.198.757,69  292
88º Gana 141.917,48  32.641.021,07  230
89º Suriname 138.111,68  7.043.695,43  51
90º Jamaica 136.769,98  11.488.678,11  84
91º Sri Lanka 135.498,43  30.487.147,51  225
92º Bangladesh 122.601,06  42.910.371,36  350
93º Togo 122.486,88  9.921.437,29  81
94º Liechtenstein 120.679,01  3.016.975,28  25
95º Jordânia 114.142,06  20.545.570,20  180
96º Lesoto 112.719,07  17.246.017,39  153
97º Maurício 112.372,48  7.753.701,41  69
98º Moldávia 107.182,90  10.825.472,96  101
99º Armênia 100.169,24  13.122.170,71  131
100º Djibuti 98.184,07  6.381.964,71  65
101º Tonga 92.725,79  2.596.322,02  28
102º Mauritânia 91.966,53  13.886.945,31  151
103º Seychelles 89.284,31  3.035.666,69  34
104º Malta 88.480,01  6.105.120,38  69
105º Gâmbia 83.481,56  4.424.522,84  53
106º São Tomé e Príncipe 81.936,13  4.506.487,29  55
107º São Vicente e Granadinas 78.969,51  1.816.298,72  23
108º Serra Leoa 56.026,86  6.947.330,38  124
109º Laos 46.326,80  6.115.138,17  132
110º Etiópia 33.964,87  23.164.042,43  682

Visto em: Folha

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Por que tudo custa tão caro no Brasil

Carro é esse aí em cima, não é aquilo que eu tenho lá em casa. Só apresentando: Ferrari 458 Spider, leitor. Leitor, Ferrari 458 Spider – o carro de 2 milhões de reais. Bom, isso é o que ela custa no Brasil. Lá fora é diferente. Que os preços são bem melhores no exterior todo mundo sabe. Até o meu amigo João Lucas. Pro João, meia dúzia de camisetas do AC/DC já é algo que dá pra chamar de guarda-roupa completo – mais do que isso é frescura. Aí ele foi fazer um curso no Texas e acabou comprando mais roupa nova do que a Imelda Marcos comprava de sapato. O João não acreditava que camisas, calças e tênis pudessem custar tão pouco. Você conhece histórias parecidas, eu sei.

Agora, se praticamente não faz mais sentido comprar roupa, maquiagem ou carrinho de bebê no Brasil, como fica então o caso da Ferrari aí em cima? Fica assim: com o dinheiro que ela vale aqui, dá para comprar um apartamento em Nova York, um helicóptero, mais uma Ferrari. Sério: o apto, o helicóptero e, de troco, a 458 Spider em pessoa.

A  bichinha custa R$ 510 mil nos EUA, contra precisamente R$ 1.950.000 no Brasil. Bom, este apartamento, no bairro do Queens, está a venda por R$ 710 mil. Este helicóptero, com ar-condicionado e banco de couro, sai por R$ 670 mil. E nem é a pechincha do século: qualquer helicóptero semi-novo dessa marca custa nessa faixa lá fora. Somando tudo, dá só R$ 1.890.000. Ou seja: ainda sobram R$ 60 mil de chorinho… Oê! Quem quer dinheiro?!

O governo. O governo quer dinheiro. E cobra impostos nórdicos para isso. Por isso mesmo a culpa pelos preços altos no Brasil geralmente acaba no colo dos impostos. Faz sentido? Vamos ver: nosso imposto de importação é um assalto perto do dos EUA. Lá é de 2,5%. Aqui, 35%. Como a Ferrari é importada tanto aqui como lá, só isso já começa a dar diferença. Bom, depois que o carro entra no Brasil vem aquele corredor polonês de impostos: 55% de IPI, 25% de ICMS, 9% de PIS/Cofins, 5% de INSS, X% pra Nossa Senhora de Aparecida… Sai de baixo.

Mas não. Eles não são tão vilões assim. Mesmo depois de passar pelo banho de tributos ele sai custando um pouco mais que o dobro do que nos países com impostos menos escorchantes – não quatro vezes mais.

Então o que justifica os R$ 1.950.000? Bom, às vezes tamanho é documento… Tem a diferença no volume de vendas. Os americanos compraram 1.958 Ferraris em 2011. Os brasileiros, 64. Aí é comparar atacado com varejo. Claro que uma Ferrari vai ser mais barata em Los Angeles do que em São Paulo: lá fora o dono da concessionária lucra na quantidade. Aqui tem que embutir mais lucro em cada carro pro negócio valer a pena. Não tem jeito.

Mesmo assim, ainda fica difícil justificar os quase R$ 1,5 milhão de diferença. Mas vem cá: quem precisa justificar? As coisas valem o que as pessoas estão dispostas a pagar. Nos EUA e na Europa, estão dispostos a pagar na faixa de R$ 500 mil pela Spider. Na China, R$ 1 milhão. Aqui, R$ 2 milhões. É do jogo. Mas e aí? Faz sentido pagar tanto num carro? Isso é outra conversa. E se você não tem 2 milhões sobrando, não precisa dormir com esse problema.

Não tá fácil pra ninguém...

Só que vale lembrar: comprar coisa cara não é crime de lesa-sociedade. Os milhões do sujeito não se desintegram se ele gastar tudo num carro em vez de doar pro Criança Esperança. Se o dono da concessionária usar o lucro para abrir uma rede de esfiharias, vai dar emprego pra um monte de gente, certo? E vai matar a minha fome também. Então beleza. Valeu.

O problema mesmo nessa história é que a realidade do mercado de luxo hardcore se reflete aqui no andar de baixo. No México, por exemplo, o Honda City é um carro importado. Não do Japão, mas de Sumaré, uma cidade da região de Campinas, SP, onde tem uma fábrica da Honda.

O City sai de Sumaré, vai para o porto de Santos, navega 8 mil km num contêiner e chega às concessionárias mexicanas custando R$ 33.500. Aqui, o mesmo carro, da mesma fábrica, custa R$ 53.600. Aí só afogando as mágoas.

Sim os impostos no México são menores. Mas nem tão menores. Lá, 20% do preço total de um carro são impostos. Aqui é entre 30% e 40%. Não explica os R$ 20 mil de diferença.

A explicação está na resposta para esta pergunta: você pagaria R$ 6 mil numa geladeira? Uma família de classe média até tem como pagar R$ 6 mil numa geladeira – nem que seja financiando e parcelando a perder de vista. Mas não. Não paga. As pessoas acham R$ 6 mil demais para uma geladeira. Mas com carros tudo muda de figura. O brasileiro típico ainda acha normal hipotecar a vida num carro. E com a subida na renda média nos últimos anos, R$ 50 mil, R$ 60 mil já parecem um preço ok por um carro razoável. Mas não. Isso é preço de Mercedes lá fora.

Também não adianta por a culpa no volume de vendas, que justifica parte do preço pornográfico dos carros de luxo. O Brasil já é o quarto maior mercado de automóveis no mundo, atrás só dos EUA, da China e do Japão. Acabou de passar a Alemanha. O problema é que, no quesito bom-senso, ainda estamos na parte debaixo do ranking. Noção de valor é o que eles têm lá fora, não isso que temos aqui em casa.

Visto em: Crash

terça-feira, janeiro 29, 2013

A nota de 2,7 trilhões

Um pouco de nostalgia pro fim de semana. Quando eu tinha 17 anos fui viajar pro interior de Minas (sou de SP) e passei uma semana sem saber de notícia nenhuma. Quando voltei, a moeda do país tinha mudado sem que eu soubesse. Agora ela não chamava mais “cruzeiro”. Era “cruzeiro real”. A menor nota que fazia sentido carregar na carteira era a de 50 mil. Àquela altura ela comprava o que uma de R$ 2 compra hoje. A nota de 50 mil cruzeiros virou a de 50 cruzeiros reais – tinham cortado mais três zeros. A nota vinha carimbada. Estavam impressos ali os mesmo “50 mil” de antes. Mas o carimbo estava lá para avisar que não, aquele pedaço de papel agora tinha vergonha na cara:

Quer dizer: você podia comprar uma caixa de fósforos com ele sem passar pelo constrangimento de dar uma nota de 50 mil. O carimbo garantia: aquela era uma nota de 50. 50 cruzeiros reais. Eram “reais” no sentido de de “valor real” de “moeda de verdade”. Mas era uma verdade de perna curta… Não deu um mês e já não dava pra comprar nada com 50, nem palito de fósforo avulso, caso alguém vendesse. Foi o ano com a maior inflação da nossa história: 2.700%. Aí entrou 1994 e, rapidinho, a unidade básica da economia, o menor valor possível que fazia sentido carregar no bolso, era a nota de mil cruzeiros reais. Um milhão de cruzeiros dos antigos. E aí veio o real, que estreou em 30 junho, no meio da Copa do Mundo, sem cortar três zeros, mas valendo US$ 1. Deu certo. Ainda bem, já que o real já era a quarta moeda do país desde 1970 (na verdade, a quinta, já que no meio do caminho teve uma mudança de nome sem corte de zeros). Vale a pena ver de novo:

Cruzeiro real (1993 a 1994)

Vale também dizer quanto um real de 1994 comprava de cada moeda. Então vamos lá: R$ 1 = CR$ 2.750

Cruzeiro (1990 a 1993)

R$ 1 = Cr$  2.750.000

Cruzado novo (1989 – 1990)

O cruzado novo e o cruzeiro pós-1990 eram a mesma moeda. Foi aqui que só teve mudança de nome, sem corte de zeros. Então R$ 1 = NCz$  2.750.000. Igual.

Cruzado (1986 – 1989)

1R$ =  Cz$ 2.750.000.000

Cruzeiro (1970 – 1986)

1R$ =  Cr$ 2.750.000.000.000

E é isso aí. A nota de 2,7 trilhões do título é a de um real, que vale 2,75 trilhões de cruzeiros.  Ou 2,75 bilhões de notas de um barão, hehe.

Texto de Alexandre Versignassi, visto em: Crash

domingo, setembro 09, 2012

O que a maconha tem a ver com a crise econômica?

maconha-california-Rich Pedroncelli-28052008-AP-hgDe acordo com jornalista americano e associação espanhola, a planta pode ser parte da saída para dívidas públicas. Doug Fine, que já colaborou para o jornal Washington Post e a revista Wired, acaba de lançar, nos Estados Unidos, o livro Too High to Fail – Cannabis and the New Green Economic Revolution (em tradução livre: Muito Chapado para Fracassar – Maconha e a Nova Revolução Econômica Verde).

Fine passou um ano em uma comunidade rural no condado de Mendocino, na Califórnia, para escrever este livro. Lá o plantio da Cannabis para fins medicinais é autorizado pelo xerife da cidade, mediante o pagamento de taxa. Cada produtor pode cultivar no máximo 99 mudas da planta, para não passar por cima da lei federal, que determina prisão para quem tiver 100 mudas ou mais.

O que o jornalista constatou:
- 80% da economia de Mendocino é movimentada por conta da droga: por ano, são gerados de US$ 6 bi a US$ 8 bi;
- Segundo professor de economia de Harvard entrevistado no livro, em 2011 a droga poderia ter gerado impostos no valor de US$ 6,2 bilhões ao governo. Se a planta fosse legalizada, o lucro poderia ser de US$ 47 bilhões;
- A Cannabis industrial – para os setores têxtil, alimentício e energético – tem mais potencial econômico do que para o uso medicinal.

“Imagine se a economia americana se beneficiasse desses números, em invés de eles irem para as contas de gangues criminosas”, afirma o jornalista em seu site.

Enquanto alguns Estados dos EUA consideram votar pela legalização da maconha para uso recreativo nas próximas eleições de novembro, a população da pequena cidade de Rasquera, na região espanhola da Catalunha, aprovou por plebiscito a plantação da erva para pagar as dívidas da crise financeira.

O cultivo, para consumo social, será feito pela ABCDA – Associação de Barcelona de Autoconsumo de Cannabis, que é legal e tem cinco mil sócios, em terrenos alugados da prefeitura da cidade. A ABCDA pagará 550 mil euros por mês. Estima-se que em dois anos a dívida de Rasquera estará quitada.

Para reduzir seu impacto ao meio ambiente, as plantações propostas por Doug Fine e pela ABCDA poderiam se inspirar na norma da cidade de Boulder, no Colorado, que exige fontes limpas de energia para o cultivo de maconha (leia Plantadores de maconha precisam compensar emissões de carbono).

Visto em: Super Interessante

terça-feira, janeiro 26, 2010

O lucro

Existem vários filmes onde o Homem é refém de sua criação. Normalmente são robôs que fazem isso. Sempre achei isso muito bizarro e louco, pensava que isso não era compreensivo, o criador tornar-se escravo de sua criatura. Mas hoje acredito que isso seja bem possível.
Somos chamados de seres racionais, porém pensamos mais com o bolso do que com a cabeça. Procuramos sempre ver qual será o lucro (financeiro) da atividade, não estou falando de todos, mas da maioria.
Isso – a meu ver – tem uma explicação simples, a sociedade evoluiu com o objetivo de armazenar capital, riquezas, quanto mais temos melhor somos. E é seguindo essa ideia que a massa pensa que devem apenas ver o “lucro” em suas atividades, o retorno financeiro que tal coisa faz.
Claro que não devemos largar mão de tudo, afinal, precisamos do dinheiro para nos alimentar (no caso dos centros urbanos, que necessitam comprá-lo), no transporte (gasolina, metrô, ônibus, etc.) e outras coisas. Entretanto como disse certa vez para alguns amigos: alegria não tem preço. Pensando nisso, comece a analisar as vantagens para a saúde e/ou emocionais, estes sim são os verdadeiros lucros, e com certeza sua vida ficará muito melhor.
Um abraço! Até a próxima.