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terça-feira, novembro 24, 2015

Pálido ponto azul - Tirinha

2013-01-21-sagan2 baixa

Visto em: Um Sábado Qualquer

quarta-feira, outubro 31, 2012

As raízes do racismo

RacismoSomos seres tribais que dividem o mundo em dois grupos: “o nosso” e o “deles”.

Tensões e suspeições intergrupais são responsáveis pela violência entre muçulmanos e hindus, católicos e protestantes, palestinos e judeus, brancos e negros, heterossexuais e homossexuais, corintianos e palmeirenses.

Num experimento clássico dos anos 1950, psicólogos americanos levaram para um acampamento, adolescentes que não se conheciam. Ao descer do ônibus, cada participante recebeu aleatoriamente uma camiseta de cor azul ou vermelha. A partir desse momento, azuis e vermelhos faziam refeições em horários diferentes, dormiam em alojamentos separados e formavam equipes adversárias em todas as brincadeiras e práticas esportivas.

A observação precisou ser interrompida antes da data prevista, por causa da violência na disputa de jogos e das brigas que irrompiam entre azuis e vermelhos.

Nos anos que se seguiram, diversas experiências semelhantes, organizadas com desconhecidos reunidos de forma arbitrária, demonstraram que consideramos os membros de nosso grupo mais espertos, justos, inteligentes e honestos do que os “outros”.

Parte desse pré-julgamento que fazemos “deles” é inconsciente. Você se assusta quando um adolescente negro se aproxima da janela do carro, antes de tomar consciência de que ele é jovem e tem pele escura, porque o preconceito contra homens negros tem raízes profundas.

Nos últimos 40 anos, surgiu vasta literatura científica para explicar por que razão somos tão tribais. Que fatores em nosso passado evolutivo condicionaram a necessidade de armar coligações que não encontram justificativa na civilização moderna? Por que tanta violência religiosa? Qual o sentido de corintianos se amarem e odiarem palmeirenses?

Seres humanos são capazes de colaborar uns com os outros numa escala desconhecida no reino animal, porque viver em grupo foi essencial à adaptação de nossa espécie. Agrupar-se foi a necessidade mais premente para escapar de predadores, obter alimentos e construir abrigos seguros para criar os filhos.

A própria complexidade do cérebro humano evoluiu, pelo menos em parte, em resposta às solicitações da vida comunitária.

Pertencer a um agrupamento social, no entanto, muitas vezes significou destruir outros. Quando grupos antagônicos competem por território e bens materiais, a habilidade para formar coalizões confere vantagens logísticas capazes de assegurar maior probabilidade de sobrevivência aos descendentes dos vencedores.

A contrapartida do altruísmo em relação aos “nossos” é a crueldade dirigida contra os “outros”.

Na violência intergrupal do passado remoto, estão fincadas as raízes dos preconceitos atuais. As interações negativas entre nossos antepassados deram origem aos comportamentos preconceituosos de hoje, porque no tempo deles o contato com outros povos era tormentoso e limitado.

Foi com as navegações e a descoberta das Américas que indivíduos de etnias diversificadas foram obrigados a conviver, embora de forma nem sempre pacífica. Estaria nesse estranhamento a origem das idiossincrasias contra negros e índios, por exemplo, povos fisicamente diferentes dos colonizadores brancos.

Preconceito racial não é questão restrita ao racismo, faz parte de um fenômeno muito mais abrangente que varia de uma cultura para outra e que se modifica com o passar do tempo. Em apenas uma geração o apartheid norte-americano foi combatido a ponto de um negro chegar à presidência do país.

O preconceito contra “eles” cai mais pesado sobre os homens, porque eram do sexo masculino os guerreiros que atacavam nossos ancestrais. Na literatura, essa constatação recebeu o nome de hipótese do guerreiro masculino.

A evolução moldou nosso medo de homens que pertencem a outros grupos. Para nos defendermos deles, criamos fronteiras que agrupam alguns e separam outros em obediência a critérios de cor da pele, religião, nacionalidade, convicções políticas, dialetos e até times de futebol.

Demarcada a linha divisória entre “nós” e “eles”, discriminamos os que estão do lado de lá. Às vezes com violência.

Texto de Drauzio Varella

quinta-feira, maio 24, 2012

Ateu sofre preconceito?

ateismo3“Ateu não sofre preconceito! Normalmente só é ateu quem tem boa condição de vida. Ateu não é discriminado, não passa por dificuldades na vida por ser ateu.” Decerto, você já ouviu alguma dessas afirmações. Provavelmente, emitida por uma pessoa religiosa e que não consegue enxergar que o preconceito pode ser externalizado em muitas atitudes diferentes. Alguns preconceitos são mais visíveis e dirigidos a determinadas classes de pessoas, como ocorre com a população afrodescendente ou homossexual – as pessoas torcem o nariz visivelmente e explicitamente negam oportunidades a elas, inclusive discutindo a possibilidade de negação de direitos sem apresentar qualquer justificativa válida.

Outras atitudes preconceituosas são mais veladas, contudo. Os afrodescendentes estão muito acostumados com esse tipo de preconceito: o da invisibilidade. É o que acontece quando você vive em um país em que boa parte das pessoas pobres são negras e cuja educação pública é de péssima qualidade? Acontece que boa parte dos estudantes afrodescendentes terão menos oportunidades do que os estudantes brancos e, portanto, dificilmente alcançarão o mesmo resultado que os brancos. Além disso, isso se reflete em sua autoestima: como pouquíssimos estudantes negros alcança sucesso — e os casos de sucesso ocorrem normalmente em outras atividades menos intelectuais, como o esporte, provavelmente eles sairão mal em atividades intelectuais, mesmo que intrinsecamente pudessem ter maior sucesso na Academia.

Os ateus sofrem com os dois tipos de preconceito. Se é verdade que muitos negros ainda sofrem preconceito direto de pessoas que infelizmente ainda não aprenderam que todos são iguais e devem ser intrinsecamente respeitados, o preconceito contra eles ao menos já está caindo na categoria do “politicamente incorreto”. O movimento LGBT, por sua vez, também tem conseguido importantes avanços na luta por seus direitos, apesar de os homossexuais serem ainda muito discriminados por grande parcela da população e por importantes meios de comunicação.

A discriminação contra os ateus é direta: há pelo menos duas redes de televisão – uma católica e uma evangélica – que todo santo dia (usei a expressão de propósito, não foi ato falho!!) atacam ateus, dizendo que a culpa de todas as desgraças do mundo, desde que deus criou o mundo há 6.000 anos, são nossa culpa (ironia – e eu me recuso a escrever deus com letra maiúscula).

Vamos para um exemplo. Imagine que um político importante em um certo país europeu inflame seus apoiadores a se revoltar contra os judeus, dizendo que a culpa do desemprego e da violência é deles. Dou um doce se você me disser a quem estou me referindo. Vocês diriam que não é um discurso discriminatório?

De noite, você vai a um jantar de família e as pessoas resolvem agradecer a deus pela comida (ninguém lembra de agradecer ao agricultor, ao motorista do caminhão ou ao dono da quitanda, ou mesmo a quem trabalhou para ter dinheiro e comprar o alimento). Alguém resolve rezar o pai nosso: você, para não ficar constrangido e estragar o barato dos outros, dá as mãos e fica em silêncio. Sua tia, que está ao seu lado, quebra o protocolo e abre os olhos pra ver se você está rezando direitinho. Como você é ateu, está em silêncio. Algo te diz para olhar pro lado, e você dá de cara com o olhar de reprovação da titia, que depois faz um discurso inflamado contra a juventude sem deus, te constrangendo nitidamente. Não que ser ateu seja algo constrangedor, mas ser exposto por causa de suas crenças, quando você estava respeitando as crenças de todo mundo, é extremamente embaraçoso. Você se sente o cocô da mosca que pousou no rabo do cavalo do bandido; chega até a pensar se não vale a pena repensar suas crenças para levar a vida com menos constrangimentos. Sei disso porque passei exatamente por esta situação há alguns anos. Você se sente envergonhado de ser o que você é.

Mas os ateus sofrem bastante com um outro tipo de discriminação, a invisível. Você vai a um tribunal e lá está um crucifixo – fico imaginando se o juiz iria se declarar suspeito para decidir um caso de interesse da igreja Católica, se o Judiciário afixa um crucifixo na parede de cada sala de audiência. Se os negros, com razão, se sentem diminuídos quando não se vêem representados em posição de respeito numa novela ou em um filme, nós ateus também nos sentimos assim.

Você se lembra de algum filme arrasta-quarteirão de Hollywood em que o mocinho era ateu? Não? Eu só lembro de um: Contato, baseado no livro de (e quem mais poderia ser?) Carl Sagan. Um filmaço, mas que a mídia americana nem considerou sequer cogitar para o Oscar nas categorias principais. A edição de som do filme chegou a ser indicada. Mas a atuação brilhante de Jodie Foster não foi nem elogiada pelos principais canais. Até “Homens de Preto” (aquele, com o Will Smith) foi indicado em três categorias no mesmo ano. Não é mania de perseguição, até porque outros excelentes filmes também não receberam a estatueta (até porque, como sabemos, muitas vezes o critério não é técnico), mas a meu ver isso é fruto da discriminação velada que existe contra os ateus. Carl Sagan era ateu, assim como Jodie Foster e, mesmo tendo a direção dado uma boa mitigada no ateísmo do filme (quando comparado ao livro), seria difícil ir contra o mainstream politicamente correto (porque é politicamente incorreto ser ateu, na maior parte dos meios).

Tente arrumar um emprego dizendo, na entrevista, que você é ateu. Tente se candidatar a um cargo eletivo dizendo, em sua campanha, que é ateu. Não vai nem arrumar o emprego, nem ser eleito. Duvida? Há algum tempo atrás massacraram Dilma Roussef porque ela disse que era contra o aborto e fez errado o sinal da cruz.

Como corrigir essa situação? Só vejo um caminho – expondo publicamente nossos ideais.

Um texto de Fabio Portela

Fonte: Bule Voador

segunda-feira, março 05, 2012

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Existe livre arbítrio?


Uma pequena conversa entre Neo e a Oráculo no filme Matrix Realoaded, apenas para ilustrar se há ou não o livre arbítrio.
- Você tem que escolher se vai aceitar o que vou te dizer ou rejeitar.
- Você já sabe se vou aceitar?
- Eu não seria um Oráculo se não soubesse.
- Se você já sabe como eu posso fazer uma escolha?
- Porque você não veio aqui fazer uma escolha, você já fez. Você veio aqui para entender porque você a fez.
(...)
- Você tem a visão Neo. Você está vendo o mundo sem tempo.
- E por que eu não consigo ver o que acontece com ela (Trinity)?
- Nós nunca conseguimos ver as escolhas que não compreendemos.
- Você está dizendo que eu tenho que escolher se Trinity vive ou morre? - Não. Você já fez a escolha. Agora você tem que compreendê-la.
Bom nessa conversa Neo fica confuso se ele realmente tem o poder de tomar suas decisões ou está determinado a fazer o que já estava pré determinado. O Oráculo (a mãe) mostra a Neo que suas escolhas já foram tomadas, e ele não que aceitar que não pode escolher o caminho de maneira consciente. Mais tarde em uma conversa com o criador do Matrix, o Arquiteto (o pai), ele mostra a Neo que tudo já está determinado, que já houveram 5 antecessores dele, que o Matrix era perfeito, mas foi um projeto que não deu certo para humanos, e somente quando ele aceitou o erro, com algumas anomalias, o Matrix funcionou, e tornou-se sistemático. Vejamos no trecho:
- Por que estou aqui?
- Sua vida é a soma do restante de uma equação desequilibrada inerente à programação do Matrix. Você é a eventualidade de uma anomalia, que, apesar de meus esforços mais sinceros, sou incapaz de eliminar do que é de outra maneira uma harmonia da precisão matemática. Enquanto isso remanesce um fardo assiduamente evitado, não é inesperado, e assim não é nada mais que uma medida do controle. A qual lhe conduziu, inexoravelmente... aqui.
- Você não respondeu minha pergunta.
- Completamente correto. Interessante. Isso foi mais rápido que os outros.
- Outros? Quantos outros? Que outros? Responda minha
pergunta!
- O Matrix é mais velho do que você sabe. Eu prefiro contar do nascimento de uma anomalia integral ao nascimento da anomalia seguinte, que no caso desta é a 6a versão.
- Há somente duas explicações possíveis: ou ninguém me disse ou ninguém sabe.
- Precisamente. Como você está indubitavelmente compreendendo, a anomalia é sistêmica - criando flutuações uniformes até mesmo nas mais simples equações.
- Escolha. O problema é escolha.
- O primeiro Matrix que projetei era completa e
naturalmente perfeito, ele era uma obra de arte - idílico, sublime. Um triunfo igualado somente por sua falha monumental. A inevitabilidade de sua ruína é agora para mim claramente a conseqüência da imperfeição inerente a cada ser humano. Assim sendo, eu o redesenhei (n.t. o Matrix) baseado em sua historia (n.t.: dos Humanos) para refletir mais exatamente as grotescas variações de sua natureza. Entretanto, fui novamente frustrado pela falha. Desde então tenho vindo a compreender que a resposta me iludiu porque requeria menos inteligência, ou talvez uma mente menos limitada pelos parâmetros da perfeição. Então a resposta foi descoberta por outro - um programa intuitivo, criado inicialmente para investigar determinados aspectos da psique humana. Se eu sou o pai do Matrix, ela seria indubitavelmente sua mãe.
- O Oráculo.
- Por favor. Como eu estava dizendo, ela descobriu uma
solução em que aproximadamente 99% de todos submetidos aos testes aceitavam o programa, desde que lhes fossem dadas opções de escolha, mesmo que subconscientemente já estivessem cientes de quais escolhas fariam. Se por um lado esta resposta funcionou, era obviamente e fundamentalmente falha, criando assim a contraditória anomalia sistêmica, que se ignorada poderia tornar-se uma ameaça ao próprio sistema. Desse modo, aqueles que recusassem o programa, enquanto minoria, se ignorada, constituiriam em uma probabilidade escalar para o desastre.
É nítida a persuasão do Arquiteto, querendo impor o Determinismo para Neo, porém este assim como com a Oráculo se recusa aceitar que não pode determinar sua vida de maneira consciente.
Bom, segundo Einstein o universo é um rolo de filme, e não podemos mudar suas cenas, tudo está determinado desde o início. Seu time, sua cor preferida, com quem vai casar, tudo está neste filme, mesmo se voltássemos ao passado. Ponto para o Determinismo. Se meu criador sabe as escolhas que farei, que carro comprarei, quem desprezarei, teoricamente estou pré programado a fazer o que ele determinou, pois se fizer alguma escolha diferente, estarei alterando todo o caminho que ele já conhecia, e seria um grande afronta, uma criatura enganar seu criador. Mas, também com todo seu poder, ele poder ter uma infinidade de caminhos conhecidos, deixando a mim o livre arbítrio.
Neo não aceita o Determinismo, quer ter um controle consciente de seus atos, porém a ciência vem mostrando que o inconsciente manda antes da ação se tornar consciente, como você pode ver na experiência de Benjamin Libet clicando aqui. Assim a ciência vem mostrando, que Neo nunca conseguirá ter seu livre arbítrio, já que essa é uma idéia consciente que temos das coisas. Ou seja, nós como normalmente nos conhecemos, pensando apenas no consciente, seremos sempre escravos das decisões de um “eu” que está escondido.
Porém, acredito  que ao buscar o autoconhecimento, ajuda a tornar o consciente e o inconsciente mais sincronizados, afinal, você  estará direcionando seu consciente, e junto seu inconsciente para dentro de você, não deixando nenhuma lacuna vazia, completando todas mesmo de forma inconsciente.
No próximo, tratarei do mesmo tema, mas citando Schopenhauer, e também Libet, para responder: posso querer aquilo que quero?
Um forte abraço, até a próxima ;)

segunda-feira, agosto 31, 2009

LIberdade

Passamos anos vivendo algo que realmente não gostamos, que acabamos nos acostumando com essa vida... É tão difícil nos libertar que gostariamos de poder voltar no tempo e mudar tudo que fizemos....
Mas aí vem um paradoxo. Às vezes somos tomados por uma tristeza momentânea, que esconde a real alegria que estamos vivendo no momento, e se voltassemos no passado e mudassemos, não teriamos feito muitas cisas das quais nos orgulhamos hoje....
Pensar no passado sem querer arrumá-lo nos ensina a encarar o presente com alegria, e aprendemos a não cometer erros iguais no futuro...
Nos libertando do que nos atormenta no presente garantirá um futuro promissor, mas devemos valorizar as coisas boas que algo ruim feito no passado nos trouxe.....
Pensem nisso...