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terça-feira, março 11, 2014

Quando Albert não era um Einstein

Albert_Einstein_(Nobel) Albert não era nenhum Einstein. Os professores não iam com a cara dele. Nunca suportou a sala de aula. E só conseguiu se formar porque um amigo emprestava cadernos para ele estudar antes das provas. O diploma até veio, mas não adiantou grande coisa: o rapaz ficou dois anos sem arranjar um emprego decente. “Não sabia de onde viria minha próxima refeição”, lamentava. Albert tinha 21 anos.

Formado em física e matemática pela Escola Politécnica de Zurique, na Suíça, o alemão não conseguia uma vaga de professor de jeito nenhum – a fama de aluno relapso não ajudava. Suas tentativas de fazer doutorado também só davam na água. Desencantado da vida, passou a viver dos trocados que levantava dando aulas particulares. “Abandonei completamente a ambição de algum dia trabalhar numa universidade”.

Uma pena. Só que ele não era mais moleque: precisava arranjar alguma coisa estável logo. Do jeito que as coisas iam qualquer trabalho com salário fixo já estava ótimo. E foi aí que o mesmo amigo que emprestava cadernos para ele, Marcel Grossmann, o indicou para um emprego numa repartição pública suíça, o Escritório de Patentes, em Berna. O trabalho teria pouco a ver com ciência. Mas e daí? O fato é que “esse negócio chato de passar fome”, como ele mesmo disse numa carta emocionada para Grossman, iria acabar: “Estou realmente tocado por você não ter esquecido seu amigo azarado. Vou fazer tudo o que puder para não desonrar sua indicação”.

Não desonrou. Assumiu a vaga de “Expert de Terceira Classe” em 1902, aos 22 anos e, se a moda já existisse, teria ganho vários títulos de Funcionário do Mês. O trabalho dele era analisar calhamaços de especificações técnicas, comparando os projetos de quem requeria patentes com invenções que já estavam patenteadas. Chato.

E Albert passaria sete anos na repartição. Oito horas por dia, seis dias por semana. Mas foi de lá, da mesinha dele, que ele produziu boa parte de sua obra. Albert provou a existência dos átomos (com a Teoria do Movimento Browniano), fundou um pilar da física quântica (com a Teoria do Efeito Fotoelétrico, que lhe renderia um Nobel aos 42 anos). E ainda viria o Sgt. Pepper’s dele: a Teoria Especial da Relatividade, que apresentava o tempo e o espaço como uma coisa só; e a matéria e a energia como duas faces da mesma moeda. Era a maior revolução da história do pensamento. Agora sim: Albert virava um Einstein. Tudo nos intervalos de um trabalho massacrante. Escondido do chefe.

Quando for reclamar da sua vida, vale lembrar do que esse cara fez com a dele.

Visto em: Crash

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Existe livre arbítrio?


Uma pequena conversa entre Neo e a Oráculo no filme Matrix Realoaded, apenas para ilustrar se há ou não o livre arbítrio.
- Você tem que escolher se vai aceitar o que vou te dizer ou rejeitar.
- Você já sabe se vou aceitar?
- Eu não seria um Oráculo se não soubesse.
- Se você já sabe como eu posso fazer uma escolha?
- Porque você não veio aqui fazer uma escolha, você já fez. Você veio aqui para entender porque você a fez.
(...)
- Você tem a visão Neo. Você está vendo o mundo sem tempo.
- E por que eu não consigo ver o que acontece com ela (Trinity)?
- Nós nunca conseguimos ver as escolhas que não compreendemos.
- Você está dizendo que eu tenho que escolher se Trinity vive ou morre? - Não. Você já fez a escolha. Agora você tem que compreendê-la.
Bom nessa conversa Neo fica confuso se ele realmente tem o poder de tomar suas decisões ou está determinado a fazer o que já estava pré determinado. O Oráculo (a mãe) mostra a Neo que suas escolhas já foram tomadas, e ele não que aceitar que não pode escolher o caminho de maneira consciente. Mais tarde em uma conversa com o criador do Matrix, o Arquiteto (o pai), ele mostra a Neo que tudo já está determinado, que já houveram 5 antecessores dele, que o Matrix era perfeito, mas foi um projeto que não deu certo para humanos, e somente quando ele aceitou o erro, com algumas anomalias, o Matrix funcionou, e tornou-se sistemático. Vejamos no trecho:
- Por que estou aqui?
- Sua vida é a soma do restante de uma equação desequilibrada inerente à programação do Matrix. Você é a eventualidade de uma anomalia, que, apesar de meus esforços mais sinceros, sou incapaz de eliminar do que é de outra maneira uma harmonia da precisão matemática. Enquanto isso remanesce um fardo assiduamente evitado, não é inesperado, e assim não é nada mais que uma medida do controle. A qual lhe conduziu, inexoravelmente... aqui.
- Você não respondeu minha pergunta.
- Completamente correto. Interessante. Isso foi mais rápido que os outros.
- Outros? Quantos outros? Que outros? Responda minha
pergunta!
- O Matrix é mais velho do que você sabe. Eu prefiro contar do nascimento de uma anomalia integral ao nascimento da anomalia seguinte, que no caso desta é a 6a versão.
- Há somente duas explicações possíveis: ou ninguém me disse ou ninguém sabe.
- Precisamente. Como você está indubitavelmente compreendendo, a anomalia é sistêmica - criando flutuações uniformes até mesmo nas mais simples equações.
- Escolha. O problema é escolha.
- O primeiro Matrix que projetei era completa e
naturalmente perfeito, ele era uma obra de arte - idílico, sublime. Um triunfo igualado somente por sua falha monumental. A inevitabilidade de sua ruína é agora para mim claramente a conseqüência da imperfeição inerente a cada ser humano. Assim sendo, eu o redesenhei (n.t. o Matrix) baseado em sua historia (n.t.: dos Humanos) para refletir mais exatamente as grotescas variações de sua natureza. Entretanto, fui novamente frustrado pela falha. Desde então tenho vindo a compreender que a resposta me iludiu porque requeria menos inteligência, ou talvez uma mente menos limitada pelos parâmetros da perfeição. Então a resposta foi descoberta por outro - um programa intuitivo, criado inicialmente para investigar determinados aspectos da psique humana. Se eu sou o pai do Matrix, ela seria indubitavelmente sua mãe.
- O Oráculo.
- Por favor. Como eu estava dizendo, ela descobriu uma
solução em que aproximadamente 99% de todos submetidos aos testes aceitavam o programa, desde que lhes fossem dadas opções de escolha, mesmo que subconscientemente já estivessem cientes de quais escolhas fariam. Se por um lado esta resposta funcionou, era obviamente e fundamentalmente falha, criando assim a contraditória anomalia sistêmica, que se ignorada poderia tornar-se uma ameaça ao próprio sistema. Desse modo, aqueles que recusassem o programa, enquanto minoria, se ignorada, constituiriam em uma probabilidade escalar para o desastre.
É nítida a persuasão do Arquiteto, querendo impor o Determinismo para Neo, porém este assim como com a Oráculo se recusa aceitar que não pode determinar sua vida de maneira consciente.
Bom, segundo Einstein o universo é um rolo de filme, e não podemos mudar suas cenas, tudo está determinado desde o início. Seu time, sua cor preferida, com quem vai casar, tudo está neste filme, mesmo se voltássemos ao passado. Ponto para o Determinismo. Se meu criador sabe as escolhas que farei, que carro comprarei, quem desprezarei, teoricamente estou pré programado a fazer o que ele determinou, pois se fizer alguma escolha diferente, estarei alterando todo o caminho que ele já conhecia, e seria um grande afronta, uma criatura enganar seu criador. Mas, também com todo seu poder, ele poder ter uma infinidade de caminhos conhecidos, deixando a mim o livre arbítrio.
Neo não aceita o Determinismo, quer ter um controle consciente de seus atos, porém a ciência vem mostrando que o inconsciente manda antes da ação se tornar consciente, como você pode ver na experiência de Benjamin Libet clicando aqui. Assim a ciência vem mostrando, que Neo nunca conseguirá ter seu livre arbítrio, já que essa é uma idéia consciente que temos das coisas. Ou seja, nós como normalmente nos conhecemos, pensando apenas no consciente, seremos sempre escravos das decisões de um “eu” que está escondido.
Porém, acredito  que ao buscar o autoconhecimento, ajuda a tornar o consciente e o inconsciente mais sincronizados, afinal, você  estará direcionando seu consciente, e junto seu inconsciente para dentro de você, não deixando nenhuma lacuna vazia, completando todas mesmo de forma inconsciente.
No próximo, tratarei do mesmo tema, mas citando Schopenhauer, e também Libet, para responder: posso querer aquilo que quero?
Um forte abraço, até a próxima ;)