domingo, outubro 23, 2011

Cuidados com animais de estimação

561) Problemas de verão:  Cachorros não suam portanto no calor, nunca deixe seu cachorro no carro. Mesmo com os vidros abertos, o animal pode ter danos cerebrais ou até mesmo morrer em 10 minutos. Sempre deixe seu cachorro à sombra (de preferência sob uma árvore ao invés de dentro de uma casinha de cachorro pois estas absorvem calor). É muito mais seguro deixar seu cachorro dentro de casa durante os dias muito quentes. Para combater as pulgas, penteie seu cachorro com um pente especial para que os ovos possam ser removidos também e use um spray contra pulgas tanto no animal quanto no carpete.
2) Identificação do Animal:  Uma identificação visível pode salvar a vida de gatos e cachorros. Acidentes acontecem e quando eles ocorrem, animais perdidos dependem da identificação em sua coleira contendo o nome, endereço e telefone dos donos. A cada 3 meses, verifique se a coleira não está muito apertada.
3) Pássaros devem ser livres: Pássaros nasceram para voar e para estar com outros pássaros. Nunca compre um pássaro num Pet Shop. Se você já possui um pássaro, não corte suas asas e deixe-o voar livremente (você não gostaria que cortassem seu pé para não correr mais). Pense em enviar pássaros solitários para um abrigo onde ele possa estar em contato com outros de sua espécie.
4) Pequenos detalhes significam muito:  Brincar e dar atenção ao seu animal regularmente significa muito para ele pois que ele passa o dia esperando você voltar do trabalho. Comida, água, abrigo e consultas regulares ao veterinário são fundamentais mas animais são seres sociais que adoram companhia mais do que qualquer coisa. Não ignore aquele rabinho alegre, deixe seu gato se aconchegar perto de você enquanto você lê o seu jornal diário e não se apresse quando for passear com seu cachorro: esse é o tempo que eles tem para explorar o mundo e tantos cheiros diferentes.
5) Vai viajar com seu bichinho de estimação?  Cuidado! Se você vai viajar de avião, escolha uma companhia aérea que permita que o animal seja transportado num compartimento especial e não no de carga. O compartimento de carga não possui boa ventilação e a temperatura não é regulada. Muitos são os animais que se machucam ou mesmo morrem durante viagens em compartimentos de carga, portanto se a sua companhia aérea não permite que seu bichinho de estimação voe num compartimento especial, a melhor opção seria dirigir ou procurar um modo mais seguro de transporte.
6) Não deixe seu cachorro preso: Cachorros gostam de estar onde você está. Cachorros são animais sociáveis que adoram correr, brincar e obter atenção. Deixar seu cachorro preso pode deixa-lo infeliz e fazer com que ele venha a ter problemas de comportamento. Se você conhece um cachorro que passou toda sua vida numa corrente, converse com o dono do animal e ajude-o a compreender como a sua liberdade é importante.
7) Castre seu bichinho de estimação: Gatos e cachorros, todos devem ser castrados. A cada hora, 2.500 cachorros e gatos nascem no Sudeste do Brasil (muito mais animais do que pessoas interessadas em adota-los). Milhões de animais são abandonados, ficam doentes e acabam sendo mortos pelo centro de Zoonoses. Evite que isso aconteça castrando seu animal e divulgando esta informação entre as pessoas que conhecem.
8) Se você precisa desistir de um animal: É muito importante que você procure um outro dono para ele com muito cuidado. Cuidado para não doar o animal para pesquisas ou outros tipos de atividades ilícitas. Cheque se a pessoa interessada tem boa conduta e não tenha medo de dizer não se você acredita que o animal não estará em boas mãos. Se você não encontrar um outro dono, leve o animal à um abrigo conhecido e procure ter certeza de que ele não passará o resto de sua vida numa gaiola.
9) Nunca ignore animais perdidos ou machucados: Nas ruas eles podem ser vítimas de maus tratos, atropelamentos e doenças além de poder se reproduzir (tornando o problema de super-população ainda maior). Quando o animal está perdido, você poderia ajudar muito tentando achar os seus donos. Se ele estiver nas ruas, procure afastá-lo de avenidas e ruas de maior movimento.
Visto em: Ilhado

sexta-feira, setembro 30, 2011

Definitivo

Reposição do Óculos de Drumond_AF RodriguesDefinitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional... (Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, setembro 29, 2011

Desabafo de uma senhora idosa sobre o meio ambiente

Garrafas pet cNa fila do supermercado o caixa diz uma senhora idosa que deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não eram amigáveis ao meio ambiente. A senhora pediu desculpas e disse: “Não havia essa onda verde no meu tempo."
O empregado respondeu: "Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com  nosso meio ambiente. "
"Você está certo", responde a velha senhora, nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente.
Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.
Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.
Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou de ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?
Visto em: Hippies

domingo, setembro 25, 2011

Livro: A Batalha do Apocalipse

A_Batalha_ApocalipseARSinopse: Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final. Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedon, o embate final entre o Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo. Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heroicas, magia, romance e suspense.
Segue um trecho sobre a origem do universo segundo o livro.
“Shamira queria saber de tudo. Como feiticeira e estudiosa, não se cansava de perguntar sobre os objetos mais variados, e muitas dessas questões que nem o celeste era capaz de responder. Mas Ablon não se aborrecia com isso, Ele admirava sua vivacidade humana, sua criatividade e sua inteligência, traços comuns também à juventude.
- Conte-me tudo - ela pediu. - Fale-me sobre o universo, sobre as coisas que viu enquanto vagava pelas sombras do espaço. Revele-me o aspecto de Deus.
- Mas eu sei muito pouco. Só os arcanjos conhecem os verdadeiros mistérios do cosmo. Sou só um guerreiro, um executor, ou pelo menos era...
Mas, ao notar a decepção no rosto da necromante, o renegado emendou:
- posso lhe contar o que sei, o que ouvi dos malakins, os anjos sábios que moram no Sexto Céu e vivem para estudar os segredos antigos.
A Feiticeira de En-Dor recostou-se na rocha, já fascinada pelo relato que se seguiria. Um vento agradável soprava no alto, abrandando o calor da manhã.
- Houve um tempo, muito anterior à aurora do universo, em que o infinito estava dividido em duas províncias, a província das trevas e a província da luz. A escuridão era então governada por uma divindade hedionda, Tehom, a deusa do caos. Essa monstruosidade cósmica era assistida por diversos deuses menores., entre eles Behemot, o Horrendo, com sua lâmina negra, e controlava a maior parte parte do extenso vazio. Seu opositor era o deus da luz, o resplandecente Yahweh. Em determinada ocasião, Yahweh e Tehom entraram em guerra.
- Um só deus, contra muitos?
- Para ajuda-lo nesse combate, o Reluzente fez nascer os cinco arcanjos, seres de poder fabuloso, que lutaram ao seu lado contra os deuses das trevas. Yahweh e seus arautos venceram o confronto, ao qual nos referimos como Batalhas Primevas, e lançaram ao inferno os cadáveres de seus inimigos. Com Tehom derrotada, o Pai Celestial assumiu as duas províncias, comandando tanto a da luz quanto a das trevas e consagrando-se onipotente sobre todas as coisas. Invencível, ele teve tempo para iniciar a criação do universo. Com um estalo, o Altíssimo deu vida aos anjos, todos de uma vez, povoando o espaço com as legiões celestes. Depois, produziu uma fagulha de luz e principiou a feitura do cosmo.
- E sobre Deus, o que sabe Dele?
- Só sentimentos e energia. O Senhor nunca foi acessível, mesmo enquanto moldava o infinito. Só os arcanjos falavam com ele, e não creio que falassem muito. Yahweh era como um pai ocupado, um progenitor que dava muita importância ao seu trabalho. Mas podíamos sentí-lo em nosso coração, e no fundo não estávamos sozinhos. Tolo é o filho que depende do pai, que se apoia em sua segurança e desiste de desbravar o mundo por si.
- E depois, o que aconteceu?
- Ao correr de bilhões de anos, o Criador cultivou seu labor, dividindo seu projeto em dias. Cada um desses dias sagrados corresponde a milhares de anos humanos. No primeiro dia ele criou o céu, o sol e os primeiros astros do firmamento. Construiu uma miríade de luas e planetas, até descobrir seu mundo perfeito. Por incontáveis séculos, a terra foi o lar dos animais, o canteiro dos anjos, até que, no fim do sexto dia, surgiram os homens, a maior de todas as obras de Deus. Encantado pelo resultado final, Yahweh deu a eles uma alma, concluindo a tarefa da criação. Então, exausto e realizado, o Reluzente caiu em letargo. Voou até o Sétimo Céu, a seu santuário no topo do monte Tsafon, e ali adormeceu, deixando aos arcanjos o serviço de governar em seu nome. Terminou assim o sexto dia, e começou o sétimo, que persiste até hoje.
- O sétimo dia - repetiu a mulher. -E quando será concluído?
- É impossível dizer. Os arcanjos, e também os malakins, sustentam que o Altíssimo despertará no futuro, para punir os injustos, e esse será o tempo do Apocalipse, um evento universal que encerrará o último dia. Miguel, o Príncipe dos Anjos, detém, no pináculo de sua fortaleza, em Sion, A Roda do Tempo, um artefato incrível que marca, supostamente, a continuidade do sétimo dia. Quando seu ciclo estiver terminado, o Onipotente ressurgirá e instaurará um reino de paz. Mas isso é só previsão.”
(A Batalha do Apocalipse - Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo. Eduardo Spohr, Editora Verus, 2010)

quarta-feira, setembro 07, 2011

Independência do Brasil

Homenagem muito legal para independência do Brasil da Escola Municipal Profª Nazareth de Siqueira Rangel Barbosa de Itatibaia em São Paulo.

Parabéns a todos os envolvidos no video.

terça-feira, agosto 30, 2011

O que mais preocupa…

martin-luther-king2“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons (Martin Luther King)

segunda-feira, agosto 29, 2011

Doe…

Seja um doador. Dê a vida em sua morte! Doe a vida… quem sabe essa não seja uma forma de nos tornarmos em parte, imortais?
231-231409878

domingo, agosto 21, 2011

Do the Evolution


      I'm ahead, I'm the man
I'm the first mammal to wear pants, yeah
I'm at peace with my lust
I can kill 'cause in god I trust, yeah
It's evolution, baby
     I'm a beast, I'm the man
Having stocks on the day of the crash, yeah
On the loose, I'm a truck
All the rolling hills i'll flatten them out, yeah
It's herd behavior, uh huh
It's evolution, baby
     Admire me, admire my home
Admire my son, he's my clone
Yeah, yeah, yeah, yeah
This land is mine, this land is free
I'll live how I want yet irresponsibly
It's evolution, baby
     I'm a thief, I'm a liar
There's my church
I sing in the choir:
Hallelujah, hallelujah
Admire me, admire my home
     Admire my song, admire my clothes
'cause we know appetite for a nightly feast
Those ignorant indians got nothing on me
Nothing, why?
Because, it's evolution, baby!
     I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the earth, but now I'm higher
Twenty-ten, watch it go to fire
It's evolution, baby
It's evolution baby
Do the evolution
Come on, come on, come on... 
(Do the Evolution – Pearl Jam)

domingo, agosto 14, 2011

O Brasil é uma democracia?

democracia4xjA palavra democracia significa “governo do povo”. Era usada para designar o sistema político de Atenas no período clássico, no qual os cidadãos atenienses, do sexo masculino e maiores de 18 anos, reuniam-se na Ágora para participar das decisões sobre o governo da cidade.
Hoje em dia, o governo de Atenas não seria considerado democrático, pois excluía da participação política mulheres, estrangeiros e escravos, ou seja, a maioria da população.
Para Aristóteles, havia três principais formas de governo: a monarquia, na qual o poder é exercido por uma só pessoa, o monarca; a aristocracia, na qual o governo está a cargo da elite (intelectual, financeira, agrária, etc.); e a democracia, no qual o poder é exercido diretamente pelo povo. Para o filósofo grego, as três formas de governo poderiam ser boas e justas, mas todas as três poderiam se transformar em formas degeneradas: a monarquia, se exercida por um rei injusto, se transforma em tirania; a aristocracia, ao privilegiar uma pequena elite, se transforma em oligarquia (governo de poucos); e a democracia pode se transformar em anarquia, isto é, ausência de governo, o que significa o caos e a desorganização política.
Desde a época da Revolução Gloriosa na Inglaterra e sobretudo após a Revolução Francesa, consolidou-se no Ocidente o sistema de democracia representativa, no qual os cidadãos elegem seus representantes para legislar e governar em nome deles. Não se trata, portanto, de democracia direta, como a ateniense.
O Brasil é considerado uma democracia, no sentido em que há um sistema político no qual os ocupantes do poder executivo – presidente da República, governadores e prefeitos – e os membros do poder legislativo – deputados federais, senadores, deputados estaduais e vereadores – são escolhidos em eleições livres e diretas pelo povo. Não deixa de ser estranho, porém, o fato de o povo ser obrigado a exercer esse direito. Voto obrigatório é uma contradição em termos. Se o voto não fosse obrigatório no Brasil, que parcela do eleitorado compareceria às urnas?
Já no éculo XVIII, Rousseau era um crítico do sistema de democracia representativa. “O povo inglês pensa ser livre e engana-se. Não o é senão durante a eleição dos membros do Parlamento”, diz ele no Contrato social.
Ainda segundo Rousseau, “a vontade de cada membro da comunidade política, isto é, a soma de todas as vontades particulares, constitui a vontade geral. O exercício da vontade geral é a soberania. E a soberania é indivisível e não pode ser representada, nem qualquer cidadão pode abrir mão dela, ou deixaria de ser livre. Renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem, aos direitos de humanidade e mesmo aos próprios deveres”.
O poder legislativo, portanto, deve ser exercido pelo povo, e jamais por “representantes” do povo. “Os deputados não são, pois, nem podem ser, seus representantes, são somente seus comissários que não estão aptos a concluir definitivamente.”.
Mesmo num sistema representativo, há ocasiões em que o povo é chamado a exercer seus direitos de cidadão de forma direta. Foi o caso do plebiscito que decidiu sobre a forma de governo, monarquia ou república, e o sistema político, presidencialismo ou parlamentarismo. Outro exemplo de exercício de democracia direta foi o referendo no qual os cidadãos brasileiros declararam-se contrários à proibição da venda de armas.
Seriam essas consultas diretas aos cidadãos uma forma mais “verdadeira e autêntica de democracia? Não necessariamente. Plebiscitos e referendos podem ser convocados para atender a pressões políticas momentâneas. É o caso, por exemplo, da recente proposta de plebiscito para proibição da venda de armas, motivada pelo bárbaro crime cometido por um psicopata em uma escola do Rio de Janeiro. Ora, a população brasileira já não decidiu sobre essa questão? A convocação do plebiscito não passa de uma medida demagógica e eleitoreira, ideia de um político adesista que faz parte da elite mais retrógada deste país.
Não podemos esquecer que ditadores como Adolf Hitler chegaram ao poder por vias democráticas. Logo, a verdadeira democracia vai muito além de votar em eleições, plebiscitos e referendos. Significa inteirar-se sobre os fatos relevantes e exercer plenamente a cidadania, isto é, respeitar os direitos das outras pessoas, aceitar o livre exercício de opiniões, conviver bem com o diferente, acompanhar de maneira crítica e independente o trabalho de ocupantes de cargos públicos, exigir seus direitos e cumprir com os deveres. Quantos de nós cumprimos com tudo isso?
Democracia não significa liberdade absoluta, pois a vida em sociedade exige que cada um abra mão de algo em troca da proteção do Estado, tal como postulou Hobbes, e para isso abre mão voluntariamente de parte de sua liberdade. Não se constrói uma democracia somente com direitos, mas também pelo exercício dos deveres.
É democrático, por exemplo, deixar que uma pessoa fique se drogando o dia todo, tal como ocorre na cracolândia, no centro de São Paulo? De acordo com a atual Constituição, uma pessoa só pode ser presa em flagrante delito. Consumir drogas, mesmo em vias públicas, não é considerado crime. Os viciados têm o “direito” de ficarem nas ruas, e só podem ir para uma instituição se quiserem. Ou seja, essa atitude “democrática” condena essas pessoas a uma vida miserável e a uma morte rápida. Quem disse que não há pena de morte no Brasil?
Voltando a Rousseau: o pensador suíço estaria certo em sua crítica à representação política? Se não houvesse a democracia representativa não recairíamos em um dos tipos de regimes totalitários que assolaram (e assolam) a humanidade? Existe algum modelo alternativo que tornaria possível a existência de um regime político verdadeiramente comprometido com as aspirações da população, ou que permitisse uma participação efetiva no exercício do poder? Nem Rousseau, nem Hobbes, que trataram da política como ela deveria ser, deram respostas satisfatórias para essas questões. Maquiavel, que tratou da política como ela é, tampouco oferece uma solução. Essa é a tarefa de todos os que se interessam pelas questões políticas contemporâneas, dentro e fora dos círculos acadêmicos.
Por Nelson José de Camargo*
Visto em: Harmonia dos Contrários

A democracia após a Novembrada