quarta-feira, março 13, 2013

Por que o ateísmo pode substituir a religião: estudo

Ateísmo_God2A questão de por que o ateísmo é mais predominante em países ricos do que pobres tem ocupado os antropólogos por cerca de 80 anos. A crença em Deus declina na maior parte dos países desenvolvidos e o ateísmo está concentrado em países europeus como a Suécia (64% de descrentes), Dinamarca (48%), França (44%) e Alemanha (42%), enquanto que na África Sub-saariana a quantidade de ateus é inferior a 1%.

Baseado no fato que quanto mais educação, maior a taxa de descrentes, o antropólogo James Fraser propôs que as previsões científicas e o controle da natureza suplantaria a religião como forma de controlar a incerteza nas nossas vidas.

Ateístas são mais comuns entre pessoas com nível superior e que vivem em cidades, e estão mais concentrados em social-democracias europeias. O ateísmo parece florescer mais entre pessoas que se sentem economicamente seguras. Mas por quê?

Em um estudo feito em 137 países, o psicólogo evolucionista Nigel Barber aponta que, aparentemente, as pessoas se voltam à religião como uma proteção para as dificuldades e incertezas da vida. Em social-democracias, há menos medo e incertezas sobre o futuro por conta de programas de promoção do bem-estar. Países com melhor distribuição de renda também têm mais ateus.

Em contraste, países onde as doenças infecciosas são mais comuns também há a crença em Deus maior. E em países mais religiosos, a fertilidade também é maior, pela promoção do casamento pela religião. Por fim, a religiosidade também é maior em países onde a população rural é maior.

Mesmo as funções psicológicas da religião enfrentam uma competição acirrada nas sociedades modernas, com as pessoas procurando médicos, psicólogos e psiquiatras quando têm problemas psicológicos.

Segundo Nigel, as razões pelas quais as igrejas perdem expressão em países desenvolvidos podem ser resumidas em termos de mercado.

Primeiro, com uma ciência melhor, redes de segurança governamentais e famílias menores, há menos medo e incerteza na vida das pessoas, e, portanto, um mercado menor para a religião.

Ao mesmo tempo, muitos produtos alternativos estão sendo oferecidos, como medicamentos psicotrópicos e diversão eletrônica, exigindo menos compromissos e respeito servil à crenças não científicas.

Visto em: Hypescience

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Uma conquista de peso

GP04967A APP (Asia Pulp & Paper) – uma das maiores empresas da indústria de papel e celulose do mundo – anunciou, nesta terça-feira, planos de excluir o desmatamento de sua cadeia de produção na Indonésia. A APP acaba de publicar sua nova “Política de Conservação de Florestas”, que o Greenpeace recebeu com entusiasmo. Se cumprido à risca, o compromisso vai ser um grande avanço na proteção das florestas. A iniciativa veio após uma década de pressão pública e recentes negociações com o Greenpeace.

“Aplaudimos os planos da APP de acabar com o desmatamento. Mas o que conta é o que está acontecendo no campo e vamos continuar monitorando de perto esse processo. Se a APP realmente colocar em prática sua nova política, isso vai representar uma dramática mudança de direção, depois de anos de devastação na Indonésia”, disse Bustar Maitar, que coordena a campanha de florestas do Greenpeace na Indonésia.

As florestas do país são habitat de espécies ameaçadas, como o tigre-de-Sumatra, além de abrigar milhares de comunidades. Segundo o governo, a indústria de papel e celulose é o principal vetor de desmatamento no país, junto com o setor de óleo de palma.

O avanço nas políticas da APP é resultado de anos de pressão feitas por ONGS nacionais e internacionais, que vêm desafiando a empresa a superar os impactos ambientais e sociais causados por sua produção. Ao longo de todos esses anos, o Greenpeace também manteve uma forte campanha mundial nesse sentido, investigando, expondo crimes ambientais e pressionando grandes companhias que compram os produtos da APP.

A pressão teve resultado: mais de 100 marcas globais que usam papel produzido pela APP em suas embalagens, como Adidas, Mattel, Nestlé e Unilever exigiram que a empresa tivesse uma produção limpa. Algumas chegaram a cancelar contratos. O anúncio da nova política é consequência dessas manobras. E chega em boa hora: no próximo mês de maio, termina a moratória de desmatamento que o presidente do país decretou em 2011.

“A iniciativa da APP é um ótimo momento para que o governo estenda a moratória e fortaleça suas políticas. As leis florestais da Indonésia precisam ser reforçadas com urgência, para que empresas como a APP tenham condições de implementar suas políticas de conservação”, afirma Maitar. “A ameaça de extinção de animais como o tigre-de-Sumatra só vai ser superada quando governo, indústrias e sociedade civil unirem suas forças e ações pelas florestas.”

Em solo brasileiro, esse movimento não é novo. Pressionada pelo Greenpeace e por outras organizações da sociedade civil, uma parte das indústrias de soja e da pecuária também já se comprometeram em tirar o desmatamento de sua cadeia de produção. E, no ano passado, o Greenpeace Brasil, junto com outras organizações da sociedade civil, colocou nas ruas o projeto de lei de iniciativa popular do Desmatamento Zero. A exemplo do projeto do Ficha Limpa, a ideia é reunir o maior número de assinaturas possível para que a proposta chegue ao Congresso. Até agora, mais de 700 mil pessoas já aderiram.

Viste em: Greenpeace

terça-feira, fevereiro 19, 2013

Congressista brasileiro é o segundo mais caro entre 110 países

O congressista brasileiro é o segundo mais caro em um universo de 110 países, mostram dados de um estudo realizado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em parceria com a UIP (União Interparlamentar).

Cada um dos 594 parlamentares do Brasil --513 deputados e 81 senadores-- custa para os cofres públicos US$ 7,4 milhões por ano.

Para permitir comparações, o estudo usa dados em dólares, ajustados pela paridade do poder de compra --um sistema adotado pelo Banco Mundial para corrigir discrepâncias no custo de vida em diferentes países.

O custo brasileiro supera o de 108 países e só é menor que o dos congressistas dos Estados Unidos, cujo valor é de US$ 9,6 milhões anuais.

Com os dados extraídos do estudo da ONU e da UIP, a Folha dividiu o orçamento anual dos congressos pelo número de representantes -- no caso de países bicamerais, como o Brasil e os EUA, os dados das duas Casas foram somados. O resultado não corresponde, portanto, apenas aos salários e benefícios recebidos pelos parlamentares.

Mas as verbas a que cada congressista tem direito equivalem a boa parte do total. No Brasil, por exemplo, salários, auxílios e recursos para o exercício do mandato de um deputado representam 22% do orçamento da Câmara.

Entre outros benefícios, deputados brasileiros recebem uma verba de R$ 78 mil para contratar até 25 assessores. Na França --que aparece em 17º lugar no ranking dos congressistas mais caros-- os deputados têm R$ 25 mil para pagar salários de no máximo cinco auxiliares.

Assessores da presidência da Câmara ponderam que a Constituição brasileira é recente, o que exige uma produção maior dos congressistas e faz com que eles se reúnam mais vezes --na Bélgica, por exemplo, os deputados só têm 13 sessões por ano no plenário. No Brasil, a Câmara tem três sessões deliberativas por semana.

No total, as despesas do Congresso para 2013 representam 0,46% de todos os gastos previstos pela União. O percentual é próximo à média mundial, de 0,49%.

Em outra comparação, que leva em conta a divisão do orçamento do Congresso por habitante, o Brasil é o 21º no ranking, com um custo de cerca de US$ 22 por brasileiro. O líder nesse quesito é Andorra, cujo parlamento custa US$ 219 por habitante.

O estudo foi publicado em 2012, com dados de 2011. O Brasil não consta no documento final porque o Senado atrasou o envio dos dados, que foram padronizados nos modelos do relatório e repassados à Folha pela UIP.

Ao todo, a organização recebeu informações de 110 dos 190 países que têm congresso. Alguns Estados com parlamentos numerosos, como a Itália, não enviaram dados.

Custo dos parlamentares pelo mundo
PAÍS CUSTO POR PARLAMENTAR (Orçamento/nº de parlamentares, em US$, com paridade de poder de compra) ORÇAMENTO (US$, com paridade de poder de compra) MEMBROS
EUA 9.570.093,46  5.120.000.000,00  535
Brasil 7.432.814,24  4.415.091.657,00  594
Nigéria 4.357.653,60  2.043.739.537,05  469
Coreia do Sul 2.091.915,75  625.482.810,00  299
Argentina 1.917.506,91  630.859.774,38  329
Japão 1.863.072,99  1.345.138.700,15  722
México 1.777.936,06  1.116.543.847,77  628
Venezuela 1.734.773,86  286.237.687,12  165
Israel 1.401.305,67  168.156.680,48  120
10º Chile 1.300.040,28  205.406.364,63  158
11º Alemanha 1.191.851,44  821.185.642,18  689
12º Colômbia 1.158.565,46  310.495.543,16  268
13º República Dominicana 1.142.232,15  245.579.911,25  215
14º Angola 1.137.324,50  250.211.389,97  220
15º Bélgica 1.116.683,85  246.787.131,17  221
16º Costa Rica 1.099.075,08  62.647.279,35  57
17º França 1.079.852,36  998.863.435,54  925
18º Uruguai 1.077.124,35  140.026.165,26  130
19º Filipinas 998.650,24  310.580.223,40  311
20º Emirados Árabes 986.662,97  39.466.518,88  40
21º Canadá 976.939,04  403.475.825,46  413
22º Turquia 941.801,88  517.991.036,43  550
23º Nova Zelândia 921.759,69  112.454.682,73  122
24º Grécia 913.714,07  274.114.221,07  300
25º Indonésia 866.241,04  485.094.979,63  560
26º Quênia 841.337,34  188.459.563,53  224
27º Trinidad e Tobago 829.928,39  60.584.772,16  73
28º Tailândia 822.990,38  534.943.748,13  650
29º Portugal 785.087,00  180.570.009,84  230
30º Áustria 741.492,17  181.665.582,73  245
31º Finlândia 726.626,88  145.325.375,26  200
32º Dinamarca 684.358,03  122.500.087,98  179
33º Andorra 672.999,04  18.843.973,23  28
34º Noruega 629.007,73  106.302.307,01  169
35º Polônia 578.557,13  323.991.995,07  560
36º Ucrânia 573.127,62  257.907.430,07  450
37º Líbano 530.701,81  67.929.831,52  128
38º Luxemburgo 520.679,18  31.240.751,04  60
39º Austrália 519.494,78  117.405.819,64  226
40º Benin 516.426,19  42.863.373,36  83
41º Uganda 515.494,92  198.981.040,99  386
42º Nicarágua 511.116,51  47.022.718,66  92
43º Camboja 497.271,28  91.497.915,20  184
44º Suécia 480.281,42  167.618.215,27  349
45º Zâmbia 440.191,93  69.550.324,33  158
46º Tanzânia 433.482,25  154.753.163,62  357
47º Chipre 415.264,94  33.221.195,23  80
48º Bósnia-Herzegovina 414.020,49  23.599.167,82  57
49º República Tcheca 410.560,00  115.367.361,10  281
50º Congo 390.347,41  79.240.524,29  203
51º Burkina Faso 385.517,65  42.792.458,94  111
52º Romênia 374.813,00  176.536.923,45  471
53º Índia 374.803,91  296.095.092,11  790
54º Eslováquia 374.201,87  56.130.280,31  150
55º Lituânia 372.252,78  52.487.641,98  141
56º Reino Unido 360.601,86  532.608.947,51  1477
57º Eslovênia 344.329,33  44.762.812,68  130
58º Camarões 342.295,65  61.613.217,68  180
59º Cingapura 337.378,72  33.400.493,13  99
60º Argélia 336.993,72  179.617.654,94  533
61º Espanha 332.642,49  204.242.485,89  614
62º Estônia 330.901,27  33.421.028,72  101
63º Letônia 329.476,47  32.947.647,02  100
64º Bulgária 325.717,41  78.172.178,18  240
65º Hungria 322.289,04  124.403.569,35  386
66º Azerbaijão 313.403,60  39.175.449,43  125
67º Micronésia 302.481,23  4.234.737,16  14
68º Suíça 298.731,21  73.487.877,05  246
69º Georgia 288.508,81  43.276.320,80  150
70º Macedônia 287.733,63  35.391.235,96  123
71º Namíbia 287.418,37  29.891.510,60  104
72º Ruanda 287.401,03  30.464.509,06  106
73º Timor-Leste 282.822,02  18.383.431,55  65
74º Maláui 255.925,05  49.393.534,34  193
75º Islândia 253.620,91  15.978.117,48  63
76º Chade 250.836,71  47.157.302,19  188
77º Croácia 250.533,66  37.830.582,60  151
78º Mali 235.911,82  34.679.038,22  147
79º Albânia 217.764,33  30.487.006,71  140
80º Maldivas 211.947,56  16.319.962,06  77
81º Montenegro 180.454,58  14.616.820,85  81
82º Paquistão 179.100,58  79.162.456,60  442
83º Sudão 176.074,34  67.964.695,49  386
84º Belarus 164.017,69  28.539.077,92  174
85º Burundi 153.481,32  22.561.754,05  147
86º Guiné Equatorial 144.953,00  14.495.300,19  100
87º Malásia 144.516,29  42.198.757,69  292
88º Gana 141.917,48  32.641.021,07  230
89º Suriname 138.111,68  7.043.695,43  51
90º Jamaica 136.769,98  11.488.678,11  84
91º Sri Lanka 135.498,43  30.487.147,51  225
92º Bangladesh 122.601,06  42.910.371,36  350
93º Togo 122.486,88  9.921.437,29  81
94º Liechtenstein 120.679,01  3.016.975,28  25
95º Jordânia 114.142,06  20.545.570,20  180
96º Lesoto 112.719,07  17.246.017,39  153
97º Maurício 112.372,48  7.753.701,41  69
98º Moldávia 107.182,90  10.825.472,96  101
99º Armênia 100.169,24  13.122.170,71  131
100º Djibuti 98.184,07  6.381.964,71  65
101º Tonga 92.725,79  2.596.322,02  28
102º Mauritânia 91.966,53  13.886.945,31  151
103º Seychelles 89.284,31  3.035.666,69  34
104º Malta 88.480,01  6.105.120,38  69
105º Gâmbia 83.481,56  4.424.522,84  53
106º São Tomé e Príncipe 81.936,13  4.506.487,29  55
107º São Vicente e Granadinas 78.969,51  1.816.298,72  23
108º Serra Leoa 56.026,86  6.947.330,38  124
109º Laos 46.326,80  6.115.138,17  132
110º Etiópia 33.964,87  23.164.042,43  682

Visto em: Folha

domingo, fevereiro 10, 2013

Não são apenas músicas…#11

Pearl Jam  - Wishlist

I wish I was a neutron bomb
For once I could go off
I wish I was a sacrifice
But somehow still lived on

I wish I was a sentimental
Ornament you hung on
The Christmas tree, I wish I was
The star that went on top

I wish I was the evidence
I wish I was the grounds
For fifty million hands up raised
And opened toward the sky

I wish I was a sailor with
Someone who waited for me
I wish I was as fortunate
As fortunate as me

I wish I was a messenger
And all the news was good
I wish I was the full moon shining
Off a camaro's hood

I wish I was an alien
At home behind the sun
I wish I was the souvenir
You kept your house key on

I wish I was the pedal break
That you depended on
I wish I was the verb to trust
And never let you down

I wish I was the radio song
The one that you turned up
I wish, I wish, I wish, I wish
I guess it never stops

Nível do mar aumentará entre 30 e 106 centímetros até 2100

cpoi4kkqsrjtkxaklg6sdoqpcUma das consequências mais temidas do aquecimento global, o aumento do nível do mar foi medido em um novo estudo, publicado pela revista “Earth System Dynamics”. Segundo o pesquisador Mahé Perrette, do Instituto de Pesquisas do Impacto do Clima (PIK), da Alemanha, até o fim do século os oceanos aumentarão, em média, entre 30 e 106 centímetros - o Brasil ficaria dentro desta média.

Em outras regiões do planeta, a maioria de clima tropical, os oceanos podem sofrer uma elevação até 20% maior. A diferença se deve a fatores regionais, como ventos e correntes oceânicas. Países banhados pelo Oceano Índico serão mais atingidos, além de Japão, o sudeste da Austrália - onde está Sydney - e a Argentina, na região de Buenos Aires.

A Costa Leste americana, de acordo com Perrette, receberá um impacto menor do que o estimado por levantamentos anteriores. Como o derretimento de gelo nos polos mudará o campo gravitacional do planeta, no Atlântico Norte a perda de volume das geleiras da Groenlândia será menos sentida do que na Antártica.

A Groenlândia, segundo Perrette, produzirá um aumento do nível do mar “menos do que a média” - embora, ainda assim, haja um aumento. Uma Nova York debaixo d'água, por isso, não parece provável.

Sobre a grande margem definida como a “média global do aumento do nível do mar”, Perrette acrescenta que há "muitas incertezas" ligadas ao futuro das geleiras. Mas se a temperatura média global subir 5 graus Celsius - um cenário já estudado por climatologistas -, é quase certo que os oceanos elevem-se pelo menos em meio metro.

A principal forma de evitar desastres é diminuir a emissão de gases-estufa na atmosfera, o que conteria a elevação dos termômetros. Para quem quer pensar além da mitigação, os diques são uma “forma clássica”, segundo Perrette, para lidar com o problema. O governo holandês, que conta com a maioria de sua população em áreas abaixo do nível do mar, aumentou as verbas voltadas para esta medida. O pesquisador também recomenda que as cidades não direcionem futuros investimentos em áreas costeiras baixas.

Visto em: O Globo

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Por que tudo custa tão caro no Brasil

Carro é esse aí em cima, não é aquilo que eu tenho lá em casa. Só apresentando: Ferrari 458 Spider, leitor. Leitor, Ferrari 458 Spider – o carro de 2 milhões de reais. Bom, isso é o que ela custa no Brasil. Lá fora é diferente. Que os preços são bem melhores no exterior todo mundo sabe. Até o meu amigo João Lucas. Pro João, meia dúzia de camisetas do AC/DC já é algo que dá pra chamar de guarda-roupa completo – mais do que isso é frescura. Aí ele foi fazer um curso no Texas e acabou comprando mais roupa nova do que a Imelda Marcos comprava de sapato. O João não acreditava que camisas, calças e tênis pudessem custar tão pouco. Você conhece histórias parecidas, eu sei.

Agora, se praticamente não faz mais sentido comprar roupa, maquiagem ou carrinho de bebê no Brasil, como fica então o caso da Ferrari aí em cima? Fica assim: com o dinheiro que ela vale aqui, dá para comprar um apartamento em Nova York, um helicóptero, mais uma Ferrari. Sério: o apto, o helicóptero e, de troco, a 458 Spider em pessoa.

A  bichinha custa R$ 510 mil nos EUA, contra precisamente R$ 1.950.000 no Brasil. Bom, este apartamento, no bairro do Queens, está a venda por R$ 710 mil. Este helicóptero, com ar-condicionado e banco de couro, sai por R$ 670 mil. E nem é a pechincha do século: qualquer helicóptero semi-novo dessa marca custa nessa faixa lá fora. Somando tudo, dá só R$ 1.890.000. Ou seja: ainda sobram R$ 60 mil de chorinho… Oê! Quem quer dinheiro?!

O governo. O governo quer dinheiro. E cobra impostos nórdicos para isso. Por isso mesmo a culpa pelos preços altos no Brasil geralmente acaba no colo dos impostos. Faz sentido? Vamos ver: nosso imposto de importação é um assalto perto do dos EUA. Lá é de 2,5%. Aqui, 35%. Como a Ferrari é importada tanto aqui como lá, só isso já começa a dar diferença. Bom, depois que o carro entra no Brasil vem aquele corredor polonês de impostos: 55% de IPI, 25% de ICMS, 9% de PIS/Cofins, 5% de INSS, X% pra Nossa Senhora de Aparecida… Sai de baixo.

Mas não. Eles não são tão vilões assim. Mesmo depois de passar pelo banho de tributos ele sai custando um pouco mais que o dobro do que nos países com impostos menos escorchantes – não quatro vezes mais.

Então o que justifica os R$ 1.950.000? Bom, às vezes tamanho é documento… Tem a diferença no volume de vendas. Os americanos compraram 1.958 Ferraris em 2011. Os brasileiros, 64. Aí é comparar atacado com varejo. Claro que uma Ferrari vai ser mais barata em Los Angeles do que em São Paulo: lá fora o dono da concessionária lucra na quantidade. Aqui tem que embutir mais lucro em cada carro pro negócio valer a pena. Não tem jeito.

Mesmo assim, ainda fica difícil justificar os quase R$ 1,5 milhão de diferença. Mas vem cá: quem precisa justificar? As coisas valem o que as pessoas estão dispostas a pagar. Nos EUA e na Europa, estão dispostos a pagar na faixa de R$ 500 mil pela Spider. Na China, R$ 1 milhão. Aqui, R$ 2 milhões. É do jogo. Mas e aí? Faz sentido pagar tanto num carro? Isso é outra conversa. E se você não tem 2 milhões sobrando, não precisa dormir com esse problema.

Não tá fácil pra ninguém...

Só que vale lembrar: comprar coisa cara não é crime de lesa-sociedade. Os milhões do sujeito não se desintegram se ele gastar tudo num carro em vez de doar pro Criança Esperança. Se o dono da concessionária usar o lucro para abrir uma rede de esfiharias, vai dar emprego pra um monte de gente, certo? E vai matar a minha fome também. Então beleza. Valeu.

O problema mesmo nessa história é que a realidade do mercado de luxo hardcore se reflete aqui no andar de baixo. No México, por exemplo, o Honda City é um carro importado. Não do Japão, mas de Sumaré, uma cidade da região de Campinas, SP, onde tem uma fábrica da Honda.

O City sai de Sumaré, vai para o porto de Santos, navega 8 mil km num contêiner e chega às concessionárias mexicanas custando R$ 33.500. Aqui, o mesmo carro, da mesma fábrica, custa R$ 53.600. Aí só afogando as mágoas.

Sim os impostos no México são menores. Mas nem tão menores. Lá, 20% do preço total de um carro são impostos. Aqui é entre 30% e 40%. Não explica os R$ 20 mil de diferença.

A explicação está na resposta para esta pergunta: você pagaria R$ 6 mil numa geladeira? Uma família de classe média até tem como pagar R$ 6 mil numa geladeira – nem que seja financiando e parcelando a perder de vista. Mas não. Não paga. As pessoas acham R$ 6 mil demais para uma geladeira. Mas com carros tudo muda de figura. O brasileiro típico ainda acha normal hipotecar a vida num carro. E com a subida na renda média nos últimos anos, R$ 50 mil, R$ 60 mil já parecem um preço ok por um carro razoável. Mas não. Isso é preço de Mercedes lá fora.

Também não adianta por a culpa no volume de vendas, que justifica parte do preço pornográfico dos carros de luxo. O Brasil já é o quarto maior mercado de automóveis no mundo, atrás só dos EUA, da China e do Japão. Acabou de passar a Alemanha. O problema é que, no quesito bom-senso, ainda estamos na parte debaixo do ranking. Noção de valor é o que eles têm lá fora, não isso que temos aqui em casa.

Visto em: Crash

Subir escadas é tão benéfico para a saúde quanto se exercitar na academia

Estilo de vida ativo previne desenvolvimento de síndrome metabólica, hipertensão arterial e colesterol alto

subir-escadaPesquisadores da Oregon State University, nos EUA, descobriram que exercícios curtos do dia a dia, como subir escadas, podem ser tão benéficos à saúde quanto treinos regulares na academia.

A pesquisa mostra que um estilo de vida ativo, ao contrário de exercícios estruturados, pode melhorar os resultados de saúde, incluindo a prevenção de síndrome metabólica, hipertensão arterial e colesterol alto.

"Nossos resultados sugerem que o envolvimento em um estilo de vida ativo, comparado com uma abordagem de exercício estruturada, pode ser tão benéfico para melhorar os diferentes fatores da saúde. Nós incentivamos as pessoas a procurar oportunidades para estar ativa quando a escolha está disponível. Por exemplo, em vez de sentar enquanto fala ao telefone, use esta oportunidade para fazer alguma atividade, como, por exemplo, andar ao redor da sala enquanto fala", afirma o autor da pesquisa Paul Loprinzi.

Os pesquisadores descobriram que 43% das pessoas que participaram de exercícios curtos cumpriram as diretrizes de atividade física de 30 minutos/dia. Em comparação, menos de 10% das pessoas que se engajam em atividades estruturadas conseguiram atingir a recomendação de 30 minutos diários.

Segundo os pesquisadores, uma das barreiras mais comuns que as pessoas citam para não fazer exercícios é a falta de tempo. Ele disse que os resultados deste estudo são promissores e mostram que simplesmente realizar movimentos em atividades cotidianas podem ter benefícios de saúde significativos.

Os resultados mostraram que aqueles no grupo de exercício mais curtos tinham 89% menos risco de ter síndrome metabólica, em comparação a 87% das pessoas que se engajam em exercícios de academias.

Visto em: iSaúde

terça-feira, janeiro 29, 2013

A nota de 2,7 trilhões

Um pouco de nostalgia pro fim de semana. Quando eu tinha 17 anos fui viajar pro interior de Minas (sou de SP) e passei uma semana sem saber de notícia nenhuma. Quando voltei, a moeda do país tinha mudado sem que eu soubesse. Agora ela não chamava mais “cruzeiro”. Era “cruzeiro real”. A menor nota que fazia sentido carregar na carteira era a de 50 mil. Àquela altura ela comprava o que uma de R$ 2 compra hoje. A nota de 50 mil cruzeiros virou a de 50 cruzeiros reais – tinham cortado mais três zeros. A nota vinha carimbada. Estavam impressos ali os mesmo “50 mil” de antes. Mas o carimbo estava lá para avisar que não, aquele pedaço de papel agora tinha vergonha na cara:

Quer dizer: você podia comprar uma caixa de fósforos com ele sem passar pelo constrangimento de dar uma nota de 50 mil. O carimbo garantia: aquela era uma nota de 50. 50 cruzeiros reais. Eram “reais” no sentido de de “valor real” de “moeda de verdade”. Mas era uma verdade de perna curta… Não deu um mês e já não dava pra comprar nada com 50, nem palito de fósforo avulso, caso alguém vendesse. Foi o ano com a maior inflação da nossa história: 2.700%. Aí entrou 1994 e, rapidinho, a unidade básica da economia, o menor valor possível que fazia sentido carregar no bolso, era a nota de mil cruzeiros reais. Um milhão de cruzeiros dos antigos. E aí veio o real, que estreou em 30 junho, no meio da Copa do Mundo, sem cortar três zeros, mas valendo US$ 1. Deu certo. Ainda bem, já que o real já era a quarta moeda do país desde 1970 (na verdade, a quinta, já que no meio do caminho teve uma mudança de nome sem corte de zeros). Vale a pena ver de novo:

Cruzeiro real (1993 a 1994)

Vale também dizer quanto um real de 1994 comprava de cada moeda. Então vamos lá: R$ 1 = CR$ 2.750

Cruzeiro (1990 a 1993)

R$ 1 = Cr$  2.750.000

Cruzado novo (1989 – 1990)

O cruzado novo e o cruzeiro pós-1990 eram a mesma moeda. Foi aqui que só teve mudança de nome, sem corte de zeros. Então R$ 1 = NCz$  2.750.000. Igual.

Cruzado (1986 – 1989)

1R$ =  Cz$ 2.750.000.000

Cruzeiro (1970 – 1986)

1R$ =  Cr$ 2.750.000.000.000

E é isso aí. A nota de 2,7 trilhões do título é a de um real, que vale 2,75 trilhões de cruzeiros.  Ou 2,75 bilhões de notas de um barão, hehe.

Texto de Alexandre Versignassi, visto em: Crash

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Canção do dia de sempre

momento023Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mario Quintana

Acreditar em sorte dá azar

trevo-1Tem gente que confia tanto na sorte que chega a abusar. Aí conta com ela para levar uma vida desregrada – dirigir feito louco sob efeito de álcool, comer pizza, hambúrgueres e ignorar saladas e legumes. E nessa sobra espaço para o azar.

Nem precisava de pesquisa para desconfiar disso. Mas o pessoal da Universidade de Melbourne, na Austrália, decidiu entrevistar 7 mil pessoas e acabar com qualquer dúvida. Todos eles contaram sobre o estilo de vida, rotinas de exercícios físicos, dieta e quanto acreditavam em destino e sorte.

E quanto mais as pessoas acreditavam em sorte e acaso, menos saudável era o estilo de vida delas. Eles fumavam e bebiam mais, não se importavam com a alimentação e quase não se exercitavam. Os mais certinhos preferiam acreditar que a vida era escrita por eles mesmos, sem essa de predestinação, “era pra ser” – por isso se cuidavam muito mais.

Acreditar em sorte até que é bom, pode te deixar um pouco mais otimista e esperançoso. Só não dá para jogar tudo nas mãos dos destinos.

Visto em: Super Interessante