quinta-feira, janeiro 31, 2013

Por que tudo custa tão caro no Brasil

Carro é esse aí em cima, não é aquilo que eu tenho lá em casa. Só apresentando: Ferrari 458 Spider, leitor. Leitor, Ferrari 458 Spider – o carro de 2 milhões de reais. Bom, isso é o que ela custa no Brasil. Lá fora é diferente. Que os preços são bem melhores no exterior todo mundo sabe. Até o meu amigo João Lucas. Pro João, meia dúzia de camisetas do AC/DC já é algo que dá pra chamar de guarda-roupa completo – mais do que isso é frescura. Aí ele foi fazer um curso no Texas e acabou comprando mais roupa nova do que a Imelda Marcos comprava de sapato. O João não acreditava que camisas, calças e tênis pudessem custar tão pouco. Você conhece histórias parecidas, eu sei.

Agora, se praticamente não faz mais sentido comprar roupa, maquiagem ou carrinho de bebê no Brasil, como fica então o caso da Ferrari aí em cima? Fica assim: com o dinheiro que ela vale aqui, dá para comprar um apartamento em Nova York, um helicóptero, mais uma Ferrari. Sério: o apto, o helicóptero e, de troco, a 458 Spider em pessoa.

A  bichinha custa R$ 510 mil nos EUA, contra precisamente R$ 1.950.000 no Brasil. Bom, este apartamento, no bairro do Queens, está a venda por R$ 710 mil. Este helicóptero, com ar-condicionado e banco de couro, sai por R$ 670 mil. E nem é a pechincha do século: qualquer helicóptero semi-novo dessa marca custa nessa faixa lá fora. Somando tudo, dá só R$ 1.890.000. Ou seja: ainda sobram R$ 60 mil de chorinho… Oê! Quem quer dinheiro?!

O governo. O governo quer dinheiro. E cobra impostos nórdicos para isso. Por isso mesmo a culpa pelos preços altos no Brasil geralmente acaba no colo dos impostos. Faz sentido? Vamos ver: nosso imposto de importação é um assalto perto do dos EUA. Lá é de 2,5%. Aqui, 35%. Como a Ferrari é importada tanto aqui como lá, só isso já começa a dar diferença. Bom, depois que o carro entra no Brasil vem aquele corredor polonês de impostos: 55% de IPI, 25% de ICMS, 9% de PIS/Cofins, 5% de INSS, X% pra Nossa Senhora de Aparecida… Sai de baixo.

Mas não. Eles não são tão vilões assim. Mesmo depois de passar pelo banho de tributos ele sai custando um pouco mais que o dobro do que nos países com impostos menos escorchantes – não quatro vezes mais.

Então o que justifica os R$ 1.950.000? Bom, às vezes tamanho é documento… Tem a diferença no volume de vendas. Os americanos compraram 1.958 Ferraris em 2011. Os brasileiros, 64. Aí é comparar atacado com varejo. Claro que uma Ferrari vai ser mais barata em Los Angeles do que em São Paulo: lá fora o dono da concessionária lucra na quantidade. Aqui tem que embutir mais lucro em cada carro pro negócio valer a pena. Não tem jeito.

Mesmo assim, ainda fica difícil justificar os quase R$ 1,5 milhão de diferença. Mas vem cá: quem precisa justificar? As coisas valem o que as pessoas estão dispostas a pagar. Nos EUA e na Europa, estão dispostos a pagar na faixa de R$ 500 mil pela Spider. Na China, R$ 1 milhão. Aqui, R$ 2 milhões. É do jogo. Mas e aí? Faz sentido pagar tanto num carro? Isso é outra conversa. E se você não tem 2 milhões sobrando, não precisa dormir com esse problema.

Não tá fácil pra ninguém...

Só que vale lembrar: comprar coisa cara não é crime de lesa-sociedade. Os milhões do sujeito não se desintegram se ele gastar tudo num carro em vez de doar pro Criança Esperança. Se o dono da concessionária usar o lucro para abrir uma rede de esfiharias, vai dar emprego pra um monte de gente, certo? E vai matar a minha fome também. Então beleza. Valeu.

O problema mesmo nessa história é que a realidade do mercado de luxo hardcore se reflete aqui no andar de baixo. No México, por exemplo, o Honda City é um carro importado. Não do Japão, mas de Sumaré, uma cidade da região de Campinas, SP, onde tem uma fábrica da Honda.

O City sai de Sumaré, vai para o porto de Santos, navega 8 mil km num contêiner e chega às concessionárias mexicanas custando R$ 33.500. Aqui, o mesmo carro, da mesma fábrica, custa R$ 53.600. Aí só afogando as mágoas.

Sim os impostos no México são menores. Mas nem tão menores. Lá, 20% do preço total de um carro são impostos. Aqui é entre 30% e 40%. Não explica os R$ 20 mil de diferença.

A explicação está na resposta para esta pergunta: você pagaria R$ 6 mil numa geladeira? Uma família de classe média até tem como pagar R$ 6 mil numa geladeira – nem que seja financiando e parcelando a perder de vista. Mas não. Não paga. As pessoas acham R$ 6 mil demais para uma geladeira. Mas com carros tudo muda de figura. O brasileiro típico ainda acha normal hipotecar a vida num carro. E com a subida na renda média nos últimos anos, R$ 50 mil, R$ 60 mil já parecem um preço ok por um carro razoável. Mas não. Isso é preço de Mercedes lá fora.

Também não adianta por a culpa no volume de vendas, que justifica parte do preço pornográfico dos carros de luxo. O Brasil já é o quarto maior mercado de automóveis no mundo, atrás só dos EUA, da China e do Japão. Acabou de passar a Alemanha. O problema é que, no quesito bom-senso, ainda estamos na parte debaixo do ranking. Noção de valor é o que eles têm lá fora, não isso que temos aqui em casa.

Visto em: Crash

Subir escadas é tão benéfico para a saúde quanto se exercitar na academia

Estilo de vida ativo previne desenvolvimento de síndrome metabólica, hipertensão arterial e colesterol alto

subir-escadaPesquisadores da Oregon State University, nos EUA, descobriram que exercícios curtos do dia a dia, como subir escadas, podem ser tão benéficos à saúde quanto treinos regulares na academia.

A pesquisa mostra que um estilo de vida ativo, ao contrário de exercícios estruturados, pode melhorar os resultados de saúde, incluindo a prevenção de síndrome metabólica, hipertensão arterial e colesterol alto.

"Nossos resultados sugerem que o envolvimento em um estilo de vida ativo, comparado com uma abordagem de exercício estruturada, pode ser tão benéfico para melhorar os diferentes fatores da saúde. Nós incentivamos as pessoas a procurar oportunidades para estar ativa quando a escolha está disponível. Por exemplo, em vez de sentar enquanto fala ao telefone, use esta oportunidade para fazer alguma atividade, como, por exemplo, andar ao redor da sala enquanto fala", afirma o autor da pesquisa Paul Loprinzi.

Os pesquisadores descobriram que 43% das pessoas que participaram de exercícios curtos cumpriram as diretrizes de atividade física de 30 minutos/dia. Em comparação, menos de 10% das pessoas que se engajam em atividades estruturadas conseguiram atingir a recomendação de 30 minutos diários.

Segundo os pesquisadores, uma das barreiras mais comuns que as pessoas citam para não fazer exercícios é a falta de tempo. Ele disse que os resultados deste estudo são promissores e mostram que simplesmente realizar movimentos em atividades cotidianas podem ter benefícios de saúde significativos.

Os resultados mostraram que aqueles no grupo de exercício mais curtos tinham 89% menos risco de ter síndrome metabólica, em comparação a 87% das pessoas que se engajam em exercícios de academias.

Visto em: iSaúde

terça-feira, janeiro 29, 2013

A nota de 2,7 trilhões

Um pouco de nostalgia pro fim de semana. Quando eu tinha 17 anos fui viajar pro interior de Minas (sou de SP) e passei uma semana sem saber de notícia nenhuma. Quando voltei, a moeda do país tinha mudado sem que eu soubesse. Agora ela não chamava mais “cruzeiro”. Era “cruzeiro real”. A menor nota que fazia sentido carregar na carteira era a de 50 mil. Àquela altura ela comprava o que uma de R$ 2 compra hoje. A nota de 50 mil cruzeiros virou a de 50 cruzeiros reais – tinham cortado mais três zeros. A nota vinha carimbada. Estavam impressos ali os mesmo “50 mil” de antes. Mas o carimbo estava lá para avisar que não, aquele pedaço de papel agora tinha vergonha na cara:

Quer dizer: você podia comprar uma caixa de fósforos com ele sem passar pelo constrangimento de dar uma nota de 50 mil. O carimbo garantia: aquela era uma nota de 50. 50 cruzeiros reais. Eram “reais” no sentido de de “valor real” de “moeda de verdade”. Mas era uma verdade de perna curta… Não deu um mês e já não dava pra comprar nada com 50, nem palito de fósforo avulso, caso alguém vendesse. Foi o ano com a maior inflação da nossa história: 2.700%. Aí entrou 1994 e, rapidinho, a unidade básica da economia, o menor valor possível que fazia sentido carregar no bolso, era a nota de mil cruzeiros reais. Um milhão de cruzeiros dos antigos. E aí veio o real, que estreou em 30 junho, no meio da Copa do Mundo, sem cortar três zeros, mas valendo US$ 1. Deu certo. Ainda bem, já que o real já era a quarta moeda do país desde 1970 (na verdade, a quinta, já que no meio do caminho teve uma mudança de nome sem corte de zeros). Vale a pena ver de novo:

Cruzeiro real (1993 a 1994)

Vale também dizer quanto um real de 1994 comprava de cada moeda. Então vamos lá: R$ 1 = CR$ 2.750

Cruzeiro (1990 a 1993)

R$ 1 = Cr$  2.750.000

Cruzado novo (1989 – 1990)

O cruzado novo e o cruzeiro pós-1990 eram a mesma moeda. Foi aqui que só teve mudança de nome, sem corte de zeros. Então R$ 1 = NCz$  2.750.000. Igual.

Cruzado (1986 – 1989)

1R$ =  Cz$ 2.750.000.000

Cruzeiro (1970 – 1986)

1R$ =  Cr$ 2.750.000.000.000

E é isso aí. A nota de 2,7 trilhões do título é a de um real, que vale 2,75 trilhões de cruzeiros.  Ou 2,75 bilhões de notas de um barão, hehe.

Texto de Alexandre Versignassi, visto em: Crash

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Canção do dia de sempre

momento023Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mario Quintana

Acreditar em sorte dá azar

trevo-1Tem gente que confia tanto na sorte que chega a abusar. Aí conta com ela para levar uma vida desregrada – dirigir feito louco sob efeito de álcool, comer pizza, hambúrgueres e ignorar saladas e legumes. E nessa sobra espaço para o azar.

Nem precisava de pesquisa para desconfiar disso. Mas o pessoal da Universidade de Melbourne, na Austrália, decidiu entrevistar 7 mil pessoas e acabar com qualquer dúvida. Todos eles contaram sobre o estilo de vida, rotinas de exercícios físicos, dieta e quanto acreditavam em destino e sorte.

E quanto mais as pessoas acreditavam em sorte e acaso, menos saudável era o estilo de vida delas. Eles fumavam e bebiam mais, não se importavam com a alimentação e quase não se exercitavam. Os mais certinhos preferiam acreditar que a vida era escrita por eles mesmos, sem essa de predestinação, “era pra ser” – por isso se cuidavam muito mais.

Acreditar em sorte até que é bom, pode te deixar um pouco mais otimista e esperançoso. Só não dá para jogar tudo nas mãos dos destinos.

Visto em: Super Interessante