terça-feira, março 08, 2016

Pessoas feministas são mais felizes no amor


Toma essa, Christian Grey.
Psicólogos da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, conversaram com mais de 500 pessoas (homens e mulheres) para descobrir a relação entre feminismo e felicidade no amor.Entre eles, 242 ainda faziam faculdade, enquanto outros 289 eram um pouco mais velhos – média de 26 anos –, e namoravam há mais de 4 anos. Os pesquisadores perguntaram a eles se simpatizavam com algumas ideias feministas, aprovavam mulheres que se dedicam à carreira e se o atual parceiro era machista ou não. Também contaram sobre a qualidade e estabilidade do namoro esatisfação sexual.
E os feministas levaram a melhor em vários pontos. A vida sexual deles era muito mais saudável: eles se diziam mais felizes comsexo do que os casais com um pézinho no machismo. Além disso, osrelacionamentos se mostravam muito mais estáveis. E isso valia para homens e mulheres feministas. De forma geral, pessoas favoráveis à igualdade entre os gêneros constroem namoros mais felizes do que os casais machistas.
Os pesquisadores ainda não descobriram por que o feminismo pode melhorar os relacionamentos. Mas desconfiam de alguns motivos. Por exemplo, homens feministas apoiam e entendem melhor suas namoradas. E quando se juntam a mulheres também feministas se livram da pressão de bancar todas as despesas do casal. Bem melhor assim.

Visto em: Ciência Maluca

segunda-feira, fevereiro 29, 2016

O Brasil vai mesmo virar um país de intolerantes?

Sempre que discussões como o feminismo, os direitos das mulheres ou a violência contra minorias vêm à tona, um grupo de pessoas (com muitas características em comum) é insistente em bradar que não pode ser enquadrado na mesma categoria por não ser estuprador, violento, pedófilo ou homofóbico.
A questão é sempre a mesma: "temos que pagar o pato pelos erros dos outros?". E aqui vai uma notícia para você: sim, você tem que pagar o pato. Nós temos que pagar o pato. E sabe por quê?
Porque essas pessoas que sofrem a violência e a desigualdade diariamente vêm pagando o pato há muito tempo. E agora é hora de acertar as contas.
Quando eu era mais novo, insistia em dizer que não existia dívida histórica porque eu não escravizei ninguém.
O que eu falhava em perceber é que uma sociedade completamente dividida em que negros não usufruem dos mesmos direitos dos brancos, são olhados com desconfiança em um País de mestiços e são tratados, muitas vezes, como cidadãos de segunda classe (se é que são tratados como cidadãos), há sim uma dívida histórica e essa conta ficou para todos nós.
E os juros continuam subindo e destruindo qualquer esperança de uma sociedade justa.
E aí é que entra a conivência geral, mesmo quando você não é o indivíduo ameaçando ou abusando.
O brasileiro adora se orgulhar de levar a vida com leveza e bom humor. Adora rir de tudo e dizer que é especial porque faz piada mesmo com as mazelas da vida.
E assim explica-se boa parte do problema: tudo é engraçado, tudo vira humor, nada é levado a sério.
Boa parte dos brasileiros prefere compartilhar a zuêra para ganhar curtidas no Facebook, se perde nas tirinhas infames, nas montagens ridículas, na boçalidade diária de não levar nada a sério. Esquece da filosofia, da história, do contexto, para divulgar uma idiotice ofensiva -- seja política ou social.
O que importa é ganhar um "hahaha" ou um "rsrs", não é discutir, debater ou desenvolver uma sociedade melhor. Até que ponto vale realmente a pena ridicularizar absolutamente tudo em vez de criar discussões válidas e embasadas?
A primeira herança da ditadura militar já sabemos bem: as instituições públicas absolutamente sucateadas (ou você acha que a educação pública, a segurança das grandes cidades e o sistema de saúde se tornaram todos tão caóticos durante os anos 60, 70 e 80 por coincidência?).
A outra herança é uma geração de desinformados que, com o acesso às novas mídias sociais e a falta de noção da importância de se apurarem os fatos (para isso existe, em teoria, o jornalismo), grita seus preconceitos, indignações seletivas e revoltas preguiçosas aos quatro ventos, sem nem se preocupar em entender definições.
Às vezes sabem que a notícia é falsa, mas não importa. Fora o humor canalha, a ridicularizarão do outro, que vale mais do que uma discussão saudável. Os adjetivos preconceituosos, a piadinha elitista para sugerir que os pobres são todos bandidos e/ou ignorantes, está tudo lá, substituindo o argumento.
Junto com parte dessa geração (a parcela que se revolta mas não se informa), os filhos mimados e igualmente preguiçosos, ex-alunos medíocres, que perderam a oportunidade de criar um senso crítico -- qualquer que seja a ideologia.
Junto com seus erros gramaticais, repetem as falácias cansadas, vazias e superficiais e se orgulham de dizer que são contra o governo (qualquer que seja), o feminismo, a igualdade de gêneros, os direitos homossexuais, a proteção ao meio ambiente, a diminuição da quantidade de carros nas ruas, porque "nada disso é importante".
Pedem disciplina, cadeias, punição, gasolina barata, reduzem tudo a dois lados e não percebem a ignorância do mundinho em que estão inseridos: um pensamento erradicado em boa parte do mundo há décadas mas que persiste naqueles que não se esforçam para considerar algo diferente daquilo que acham que produziram com o próprio cérebro.
Já sabemos que grande parte dos comentários altamente intolerantes vem da lavagem cerebral promovida pelos oportunistas falsamente religiosos, mas existem os outros intolerantes que acham que têm o direito de fiscalizar a vida alheia, seja em suas relações amorosas, em sua decisão sobre o corpo ou em sua luta pela igualdade onde quer que seja.
São os tipos patéticos que reclamam da falta de humor alheio, que acham que "tudo virou fobia" e que confundem a liberdade de expressão com a mediocridade de suas palavras. Que acham que só aquilo que conhece importa e danem-se os outros porque são uma parcela menor da população.
Que acham que lutar por direitos é garantir privilégios enquanto os verdadeiros privilégios são os de não ter que lutar por nada.
São aqueles que comentam uma 'piadinha' ou um comentário 'revoltado' sobre um ex-presidente no vídeo de um cachorro fazendo algo engraçado.
São os obcecados que não deixam ninguém em paz porque precisam descontar as próprias frustrações em qualquer culpado que vá gerar curtidas no comentário.
São aqueles que reduzem o mundo a dois lados, a direita e a esquerda, sem perceber a complexidade do pensamento crítico e sem lembrar que aquela cagada histórica chamada Muro de Berlim caiu faz muito tempo.
E toda essa violência verbal (e às vezes física mesmo) que clama por morte (do bandido pobre ou do político), por punição, pelo fim da defesa dos direitos humanos, que acha que a disciplina pura vai resolver o problema, só demonstra a falta de vivência, de experiência e de diálogo.
Quem vai atrás do "bandido bom é bandido morto" ou do "leva pra casa" claramente nunca se preocupou em conversar com quem dá aula na favela.
Quem fala "feminazismo" nunca parou pra pensar em quão tosca e desrespeitosa é essa comparação (inclusive com os próprios judeus).
Quem acha graça em piada com mulher sendo violentada não pensa na mãe, na namorada ou na irmã vivendo essa situação.
O Brasil caminha, ou corre, em direção ao extremismo, à intolerância, ao radicalismo. Os mesmos que vimos destruir países do Oriente Médio, que às vezes nem parecem tão distantes do gigante latino.
E se o País não fizer meia volta e começar a usar a empatia como combustível, o destino final pode ser terrível.

Visto em: Brasil Post

Crianças sem religião são mais generosas, diz estudo

Doutrinas religiosas induzem os fiéis a tratar os outros com compaixão e colocar o bem de todos antes de interesses próprios. Mas quando se trata de generosidade as crianças não-religiosas parecem ser mais inclinadas a fazer atos generosos, de acordo com um novo estudo realizado com 1170 crianças de todo o mundo. Crianças de lares religiosos — particularmente muçulmanos — também mostram uma maior inclinação para julgar ações de alguém como errado e punir os autores. O estudo, o primeiro a fazer uma análise em larga escala deste tipo, sugere que religião e comportamento moral não necessariamente caminham lado a lado nas crianças.
“Nossos resultados reforçam a noção de que a secularização do discurso moral não reduz a bondade humana. Na verdade, ela faz exatamente o oposto”, diz Jean Decety, um neurocientista do desenvolvimento na Universidade de Chicago, em Illinois, e o principal autor do estudo.
Pesquisas anteriores já puseram em dúvida o estereótipo comum que as pessoas religiosas são mais morais do que seus irmãos não religiosos. Nas pesquisas, pessoas religiosas relataram maiores níveis de ações de caridade, mas não está claro se esta informação éprecisa ou exagerada. Também não está claro se o espírito altruísta está confinado a outros membros de sua religião. Em testes reais de generosidade, há também resultados mistos. Um estudo constatou que as pessoas religiosas e não-religiosas compartilharam mais dinheiro com um estranho depois de ler frases contendo palavras religiosas, como “espírito” ou “Deus”. Mas as pessoas também foram mais generosas depois de ler palavras associadas com as autoridades seculares como “polícia”. Outro estudo descobriu quepessoas religiosas são tão prováveis quanto as menos religiosas de ignorar um estranho em dificuldades.
A nova pesquisa, feita com crianças de seis países (Canadá, China, Jordânia, Turquia, África do Sul e Estados Unidos), inclui 510 muçulmanos, 280 cristãos e 323 crianças sem religião. O estudo foi o primeiro a dar este olhar em larga escala na forma como a religião e comportamento moral se relacionam em crianças de todo o mundo, com foco em uma faceta do comportamento moral: o altruísmo ou a vontade de dar a alguém um benefício que vem também com um custo pessoal.
O teste envolveu a moeda de troca da infância: adesivos. Eles participaram de uma “tarefa de alocação de recursos”, conhecido como o Jogo do Ditador. Crianças com idades entre 5 e 12 anos se reuniam individualmente com os adultos que lhes permitiam escolher 10 de seus carrinhos favoritos. As crianças eram, então, informadas que os adultos não tinham o suficiente para distribuir o resto de seus adesivos para outras crianças em uma outra classe fictícia. Mas cada criança falou que elas poderiam colocar alguns das seus 10 adesivos em um envelope para ser compartilhadas com outras crianças, que foram descritas como sendo da mesma escola e grupo étnico. Os cientistas usaram o número de adesivos restantes no envelope como medida de altruísmo.

As crianças de famílias não religiosas deixaram uma média de 4,1 adesivos, uma diferença estatisticamente significativa de crianças cristãs (3,3) e de muçulmanas (3,2). Além disso, com base em uma pesquisa com os pais, também descobriram que o grau de religiosidade, bem como o período de tempo em uma comunidade religioso, está associado com menos altruísmo. A idade da criança, a situação socioeconômica e o país de origem também tiveram influência, mas não o suficiente para anular o efeito das diferenças religiosas, de acordo com o estudo. Em crianças mais velhas, a disparidade foi mais nítida, com a juventude religiosa cada vez com menos tendências em compartilhar.
As crianças no estudo também assistiram a vídeos curtos em que uma criança faz algo ruim para outra, como empurrões. As crianças então classificavam quão grave elas pensavam que o incidente era, e quão severamente eles queriam o instigador punido. Crianças não religiosas tendiam a classificar os incidentes como menos significativo. Crianças muçulmanas, em média, deram a mais alta classificação e procuraram punições mais severas do que qualquer uma dada pelas cristãs ou pelas seculares. Decety diz que ele não tem certeza do porque este é o caso.
Decety, cujo trabalho tem como foco o surgimento da moralidade em crianças, diz que o padrão das crianças religiosas como sendo menos generosas pode estar ligado a um fenômeno chamado “licenciamento moral”. Isso é quando uma pessoa se sente permitida, mesmo que inconscientemente, a fazer algo errado porque eles se veem como uma pessoa moralmente correta.
Com tantas crianças de diferentes culturas, o novo estudo oferece introspecções vitais, disse Benjamin Beit-Hallahmi, um psicólogo da Universidade de Haifa em Israel e um especialista em psicologia da religião. Ele suspeita que os resultados estão ligados a importância que muitas religiões colocam em uma autoridade externa e as ameaças de castigo divino. Considerando que as crianças de famílias religiosas aprendem a agir em obediência a um poder superior vigilante, crianças criadas em lares seculares poderiam ser ensinadas a seguir regras morais apenas porque é “a coisa certa a fazer”, diz ele. Então, “quando ninguém está olhando, as crianças de famílias não-religiosas se comportam melhor”.
O estudo já está instigando coçar a cabeça sobre como ele se enquadra com estudos semelhantes de adultos. Azim Shariff, um psicólogo da Universidade de Oregon, em Eugene, diz que contrasta com a sua análise que, tomados como um todo, pesquisas anteriores não encontraram nenhum efeito global da religião em adultos confrontados com este tipo de testes morais.
“Ele não se encaixa facilmente com o que está lá fora tão longe. Então, eu tenho que fazer algumas reflexões — as outras pessoas têm que pensar um pouco — com a forma como ele se encaixa”, diz Shariff, que elogiou a escala e profundidade do estudo. Ele sugeriu que as novas descobertas poderiam refletir um estágio de desenvolvimento para as crianças, produzindo resultados diferentes do que em adultos. Ele também observou que tais testes controlados podem não capturar completamente como as pessoas se comportam na vida diária.
Decety expandiu sua pesquisa para examinar os efeitos da religião no comportamento das crianças em 14 países, e também está explorando se a religião influencia em como as crianças decidem distribuir bens entre pessoas diferentes em um grupo. “Meu palpite é que eu vou encontrar o mesmo resultado que obtive neste estudo”, diz ele.

Visto em: Universo Racionalista

LSD deixa você otimista

Uma dose de LSD pode melhorar sua sensação de bem-estar e abrir sua cabeça por até duas semanas. Mas também traz consequências negativas: desperta alguns sintomas parecidos com os de psicose.
É o que diz uma pesquisa britânica feita com 20 voluntários. Todos eles tomaram uma dose intravenosa de 75 microgramas de LSD e passaram por vários testes ao longo de duas semanas. Todos eles se mostravam bem mais otimistas e abertos a novas opiniões após a ingestão da droga – e a mudança persistiu mesmo depois que o efeito do ácido passou. Em compensação, apresentaram alguns sinais bem conhecidos da droga, como alucinações e confusões de pensamento.
Outra turma de 20 voluntários passou por uma experiência parecida. Mas, ao invés de tomarem LSD, receberam uma dose placebo da droga. Entre eles, nada mudou nas duas semanas seguintes.
O mistério por trás da felicidade do alucinógeno é que, sob efeito dele, a mente involuntariamente trilha caminhos diferentes. E você acaba mais propício a aceitar opiniões diferentes da sua.

Visto em: Ciência Maluca

Não são apenas músicas…#24

Zé Ramalho - Avôhai


"Rebuscando a consciência
Com medo de viajar
Até o meio da cabeça do cometa
Girando na carrapeta
No jogo de improvisar
Entrecortando
Eu sigo dentro a linha reta
Eu tenho a palavra certa
Pra doutor não reclama"

domingo, janeiro 17, 2016

GAROTAS, ACORDEM!

Nós, homens, não nos importamos se você falar com outro cara. Não nos importamos se vocês são amigas de outros caras. Mas quando vocês estão sentadas com a gente e um cara qualquer aparece e você sai correndo e pula em cima dele, sem nem ao menos nos apresentar, é, é bastante irritante. E não ajuda se você chamar ele pra sentar com a gente e ficar conversando dez minutos com ele sem nem se dar conta do fato de que ainda estamos ali.
Não nos importamos se um cara te telefona, ou te manda uma mensagem, mas se isso acontece às 2 da manhã, nós nos incomodamos um pouco sim. Nada de tão importante costuma acontecer às 2 da madrugada que não possa esperar até o amanhecer. Além disso, quando te dissermos que você é bonita/linda/estonteante/maravilhosa, nós estamos falando a verdade. Não diga que estamos errados.
Uma hora vamos parar de tentar te convencer. A coisa mais sexy numa garota é confiança. Mas ter confiança não significa ser convencida. Não se irritem quando abrirmos uma porta para você. Aproveitem e abusem do meu humor. Nos deixem pagar as coisas pra vocês! Não se ‘sintam mal’, nós gostamos de fazer isso.
Não é mais que o esperado. Sorriam e digam ‘obrigada’. Nos beijem quando não há ninguém olhando. Mas, se vocês nos beijarem quando sabem que alguém está olhando, ficaremos impressionados. Vocês não precisam se arrumar para nós. Pra começar, se formos sair com vocês, vocês não precisam sentir a necessidade de colocar a sua saia mais bonita ou passar todos os tipos de maquiagem que vocês têm.
Gostamos de você por quem você é, e não pelo que vocês têm. Sinceramente, eu acho que uma garota fica mais bonita de pijama ou com uma camiseta minha e um shortinho qualquer do que toda embelezada. Não levem tudo o que dissermos a sério. Piadas e brincadeiras são coisas lindas. Tentem enxergar a beleza delas.
Não se irritem tão facilmente. Não fiquem falando sobre como o Chris Brown, o Brad Pitt ou o Taylor Lautner são lindos. É tedioso, e nós não nos importamos. Você tem amigas pra isso. E meninas, isso é o mais importante: se um cara não está te tratando bem, não espere que ele mude! Dispensa essa vergonha para a população masculina da Terra, e ache alguém que te trate com respeito. Alguém que honre seu código moral.
Alguém que te faça sorrir mesmo no seu pior momento. Alguém goste de você mesmo quando você erra. Alguém que pare o que está fazendo só pra te olhar nos olhos e sorrir. Dêem uma chance pros caras legais. Homens, copiem e colem essa mensagem se concordarem. Mulheres, copiem e colem se acharem ela bonita.
Qualquer homem que não for um babaca vai concordar com isso, e espero que todas as garotas postem isso nos seus murais. A vida é curta demais pra ficar reclamando de tudo que aparece no seu caminho, então pare e cheire as flores da vida, porque você pode nunca mais ter essa oportunidade. Pare e aproveite, porque cada uma é diferente à sua própria maneira. Corra riscos, porque se não der tudo certo, sempre haverão mais flores para se cheirar.

Visto em: Sábias Palavras

Viaje! O que você viver ninguém poderá roubar

Nunca imaginei que um homem inteligente como Aurélio (aquele do dicionário!) pudesse ser tão pouco criativo. Segundo ele, viajar é “percorrer em viagem; viajar terras: andar por muitas terras; fazer viagens; andar em viagens”. Ora essa, onde já se viu tanta pobreza de definição? Se eu pudesse definir o verbo viajar, dedicaria a ele um pergaminho inteiro. Um daqueles enormes, que se desenrolam por metros e metros como tapete de letras cursivas e saudosas. Dedicaria a este único verbo a gratidão e o amor, a alegria e o encantamento.
As estranhas palavras que dançam nas línguas dos gringos em fonemas curiosos são, por si sós, uma bela lição. É como ser bebê novamente e passar pela provação de tentar repeti-las e compreendê-las. As diferentes línguas e suas entonações podem contar as principais características daquele povo: a severidade do alemão, a sofisticação do francês, a musicalidade do árabe, a malemolência do italiano, a assertividade do japonês, o pragmatismo do inglês… Um bom leitor de mundo é capaz de decifrar os enigmas de um povo pela forma como ele se comunica!
Quem são essas pessoas que aprenderam a esconder suas almas coloridas sob burcas pretas? Quem são os andarilhos que abriram mão de seus lares em troca da liberdade de caminhar eternamente? Que homem é esse que vive apressado nos cafés, a contar os minutos em seu relógio caro que lhe suga toda a paz? Quem são todas essas pessoas com as quais dividimos o mesmo planeta, mas cuja existência teimamos em ignorar? Olhar para o outro com empatia e curiosidade é um terreno fértil para a compreensão de que a vida não gira apenas em torno de você . É a chance de analisar a si mesmo pelos olhos do mundo e entender a imensidão humilde das almas que perambulam em vidas tão diferentes.
Viajar pode mudar uma vida por completo, de ponta-cabeça. Conhecer outros lugares é um exercício de humildade, tolerância e reverência. Há alguns cantos que parecem ter sido esculpidos por Deus ,especialmente para aquele seu minuto de reflexão, em que tudo parece congelar enquanto você desvenda o mistério da vida ou o segredo da felicidade. É a chance de perceber que existe um incrível universo além-umbigo e que o mundo é tão vasto quanto miúdo, pois somos tanto diferentes em hábitos e traços físicos, quanto iguais em dores, angústias e alegrias.
A bagagem de uma viagem é a mais rica que se pode carregar, um banho de cultura que renova corpo e alma, abrindo os olhos para o que sequer se sabia existir. Há viagens parecidas com uma cirurgia de catarata: os olhos estavam ali o tempo todo, mas simplesmente não enxergavam o suficiente. Um viajante se torna um inquieto cidadão do mundo e, como tal, passa a enxergá-lo em toda sua complexidade e dinamismo.
Viajar nos faz pensar em questões severas e humanas muito mais do que estamos acostumados em nosso cotidiano, quase sempre limitado. Cheiros, sons, cores e sabores narram a história de indivíduos, povos, religiões, motivações, sonhos e ídolos. Tantas obras de arte, parques, ruas e construções contam uma verdade universal: alguém passou por aqui e deixou sua marca na eternidade. O mundo de hoje é uma grande colagem dos que insistiram em deixar seu legado para que outros os compreendessem. Quem sabe, assim, possam seus visitantes um dia compreender a si mesmos.

Por: Lara Brenner
Visto em: Sábias Palavras